quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sam Rivers (1923 - 2011)

No dia 26.12.2011, morreu em Orlando, na Flórida, o genial saxofonista e flautista Sam Rivers.

Nascido em 25.09.1923, diferentemente de outros importantes músicos de jazz, só foi lançar seus discos próprios depois dos 40 anos, em meados da década de 1960, após participar de grandes bandas de apoio, incluindo um dos quintetos de Miles Davis. E Rivers iniciou a carreira própria com dois petardos: Contours e Fuchsia Swing Song, ambos de 1965.

Entre idas e vindas, lançou diversos álbuns, geralmente na linha do chamado free jazz.

Falando em idas e vindas, colo abaixo resenha, em inglês bem tosco - pelo que pedimos desculpas -, especialmente escrita para o sítio RateYourMusic, acerca do álbum Dimensions & Extensions, gravado em 1967. Engavetado à época pelo selo Blue Note, as faixas do disco viriam a público em 1976, na compilação Involution. Já Dimensions & Extensions propriamente dito, tal como concebido originalmente, só apareceria no ano de 1986.

Sam Rivers - Dimensions & Extensions (1967 - lançado em 1986)

This album must have been issued in 1967, but contractual problems obstruct its release that year. Its songs remained unissued until 1976, when they appeared in album Involution.

In 1987, It was finally released as being conceived in second-half of 1960s. It's important mention Dimensions and Extensions gained that time, besides the title, the cover art and catalog number, according to information of Bob Blumenthal in his "a new look at", written in 2008 especially to RVG edition. Thus, the album from 1987 is the same that could have been issued in 1967.

Before taping the session of the album that would be this Dimensions and Extensions, Blue Note Records already had launched two great Sam Rivers albums: 1965's Fuchsia Swing Song and Contours. Dimensions and Extensions could have completed a kind of saga of this musician, representing something like a medium of those classics from 1965: the album recorded in 1967, entirely written by Rivers, brings the typical elements of hard bop (as Fuchsia) mixed to avant-garde (predominant in Contours).

Sam Rivers (tenor and soprano sax and flute in this album) is one of those artists that we always read the name in personnel lists of great jazz albums. It's very satisfying listen to him here as a jazz leader. There's no doubt he deserves to be in the pantheon of the most important figures of jazz history.


Ouça, de Dimensions & Extensions, trecho da faixa "Helix", composição do próprio Sam Rivers (tenor e soprano sax e flauta), gravada em 17.03.1967, numa sessão integrada também por Donald Byrd (trompete), Julian Priester (trombone), James Spaulding (sax alto e flauta), Cecil McBee (baixo) e Steve Ellington (bateria). Na ilustração, a capa de Dimensions & Extensions, que, aliás, é a original que já havia sido escolhida para o frustrado lançamento em 1967.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Eu só quero é ser feliz

Não é raro se associar o capitalismo com a ideia de felicidade. Nenhum outro sistema político-econômico, dizem seus apologetas, seria capaz de permitir que fôssemos tão felizes.

Afirma-se que mais feliz se é quanto mais se pode consumir, sem preocupações e sem culpa, os mais variados produtos e serviços oferecidos por nosso maravilhoso mundo capitalista.

Com efeito, parece mesmo que o caráter aparentemente inabalável do sistema capitalista - do ponto de vista ideológico, que fique bem claro -, deve-se em grande medida ao atributo da felicidade.

Por outro lado, causa espanto que, numa cultura dessas, vejam-se grandes corporações, evidentemente fiéis escudeiras do modelo capitalista, pouco ou nada se empenharem para assegurar que o consumo dos bens e serviços que oferecem sejam de fato uma indiscutível fonte de felicidade para as pessoas.

O caríssimo leitor, se ainda não passou, certamente já viu algum amigo ou parente enfrentar maus bocados com produtos novinhos em folha que simplesmente param de funcionar, ficando horas pendurado no telefone aguardando atendimento, tendo que se sujeitar a esperar às vezes por meses pelos reparos a que estão obrigados os serviços de garantia.

Ora, sob o capitalismo praticamente tudo se transforma em mercadoria, tanto que não por acaso o velho Marx inicia o seu O Capital justamente com a análise da mercadoria. Desse modo, como explicar tanto descaso com os consumidores, deixando que eles, pelo menos por alguns instantes, sejam menos felizes, por culpa das mercadorias que adquirem, as quais, aliás, seriam o motivo maior de sua felicidade?

A resposta só pode vir do trabalho para lá de bem feito da chamada ideologia burguesa. As empresas estão certas de que muitos poucos - número insignificante na verdade - veem alguma saída fora do sistema. Falando de forma bem simples e direta, a lavagem cerebral é tão perfeita, que ninguém se indispõe com o sistema a ponto de recusar consumir seus produtos - ou pelo menos passar a adquiri-los com menos sofreguidão -, mesmo após sofrer humilhações e curtir horas de nervosismo que lhe são (desnecessariamente) impostas por obra justamente da aquisição de bens e serviços que aqueles mesmos caras lhe oferecem. Fazer o que, se o sistema é eterno e indestrutível?

O serviço sujo da ideologia seria deveras mais simples se o cuidado com a nossa felicidade - que só pode ser fornecida pelo capitalismo, como afirmam seus cultores - fosse praticado de forma quase obsessiva pelos "donos" do sistema e seus prepostos. É ou não é?