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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Art Ensemble of Chicago

Grupo pelo qual passou pelo menos meia dúzia de artistas fundamentais do free jazz, o Art Ensemble of Chicago apresentou-se em São Paulo reduzido a um quarteto. De seus integrantes históricos, estavam somente o saxofonista Roscoe Mitchell e o baterista Famoudou Don Moye.

Dando razão à máxima que afirma ser necessário o domínio das regras antes de romper com elas, a banda demonstrou, no final de um show repleto do non-sense tipicamente vanguardista, que também tem pleno controle dos elementos mais clássicos, tradicionais e/ou palatáveis do jazz: os dois últimos números ficaram no meio do caminho do bebop e do hard bop e, no bis, o quarteto quase levou a platéia a chacoalhar num extraordinário avant-funk.

A performance dos estadunidenses fez parte da Mostra SESC de Artes, que segue até o dia 18 de outubro.

sábado, 4 de outubro de 2008

Jazz em outubro


No mês de outubro, a cidade de São Paulo contará com pelo menos duas atrações imperdíveis para os fãs de jazz: o grupo Art Ensemble of Chicago, dias 10, 11 e 12 no SESC Vila Mariana, e o saxofonista Sonny Rollins, dia 21 no Auditório Ibirapuera e dia 25 do lado externo da casa. A segunda apresentação é gratuita!

Que não se pense, porém, que o jazzófilo tenha que assistir às apresentações dos dois nomes. Não há dúvida que há diferenças abissais entre os artistas: Rollins está ligado aos caracteres mais, digamos, normais do jazz, tendo passeado pelo bebop, hard-bop e cool jazz, especialmente em carreira solo, mas também ao lado de mestres como Thelonious Monk e Miles Davis. Já o Art Ensemble of Chicago, grupo surgido nos anos 1960, é devoto da mais radical vanguarda jazzística mesclada com a ancestralidade africana do gênero, numa paradoxal mistura de passado e futuro. É perfeitamente compreensível, portanto, que haja aqueles que se engalfinhem para prestigiar um deles, enquanto rechaçam veementemente o outro.

Do show de Rollins, pode-se esperar virtuosismo, energia e alguns standards. Da performance do Art Ensemble of Chicago, temas inusitados, teatralizações e, eventualmente, o silêncio.

Se tudo correr bem, este blogueiro desprovido de preconceitos exaltará a diferença - e genialidade - de ambos.