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sábado, 19 de setembro de 2009

Marianne Faithful - Broken English (1979)

A Marianne Faithful de Broken English não se parece muito com a musa da Swinging London, estando antes mais afeita, ainda que sem muito jeito, com o punk/new wave vindo do outro lado do Atlântico. O estilão um tanto junkie, a voz áspera, os arranjos sujos e "econômicos" da maioria das canções compõem as características de um trabalho que parece encontrar na estadunidense Patti Smith uma inequívoca influência.

É, com efeito, gritante a diferença estética e estilística de baladas inesquecíveis como "As Tears Go By", dos anos 1960, e, por exemplo, "Why D'ya Do It", faixa em que a já mencionada influência da "sacerdotisa do punk" é mais explícita. Entretanto, ao contrário do que costuma ocorrer em boa parte dos casos de radicalismos estilísticos, a inglesa aparece autêntica, tranquila, passeando bem por entre guitarras discretas, bateria seca, baixo sombrio e teclados esparsos.

Uma dica: é um disco que talvez precise de tempo para aprender a dele gostar. Nem todas as faixas são como a bluesy "Brain Drain", a levemente soul "Guilt" ou a roqueira "Why D'ya Do It" de que já falamos, todas encantadoras à primeira audição; as demais podem requerer um pouco mais de esforço para perceber suas nuanças ou para entender e deglutir o arrojo setentista de uma das "ex" de Mick Jagger. Vale a empreitada!

Ouça abaixo Marianne Faithful interpretando "Working Class Hero", composição de John Lennon que, na gravação dela, guarda todas as qualidades do álbum que comentamos.

sábado, 8 de março de 2008

Carla Bruni, a cantora

A revista Carta Capital, na sua edição de número 484, traz resenha do jornalista Pedro Alexandre Sanches sobre os dois discos de Carla Bruni, lançados no Brasil pelo selo ST2.

Carla Bruni é aquela ex-modelo que tem propiciado ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, a oportunidade de dar uma de popstar por onde quer que passe.

Ainda não ouvi a “cantora” italiana radicada desde criança na França. Mas se eu tivesse tempo e dinheiro trataria de fazê-lo o quanto antes. Afinal, segundo o crítico da Carta, num dos discos ela “cria melodias para poemas de Yeats, Emily Dickinson e Dorothy Parker”! E mais, diz o jornalista que a belíssima primeira-dama, embora de forma diluída, paga tributo à “nobre linhagem formada por Françoise Hardy, Marianne Faithful, Nico, Joni Mitchell”(!!!).

Quase caí de costas! Como diria a garotada, “as cantoras citadas não são nada fracas”. A alemã Nico, diga-se, ainda tem de interessante o fato de também ter sido uma modelo superbadalada nos anos 1960.

Só de raiva permiti-me ouvir Marianne interpretando “Sister Morphine”, Joni Mitchell com “Help Me” e “Coyotte”, “Tous les Garçons et les filles” com a Françoise e a íntegra dos álbuns Chelsea Girl e Desertshore, de Nico.

Depois dessas, a Sra. Sarkozy vai ter que esperar mais um pouco.