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domingo, 12 de outubro de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - Marta e Kassab

E o prefeito Kassab aparece com respeitável dianteira em relação à ex-prefeita Marta, segundo pesquisa de opinião.

Como já era previsível, e de certo modo fora antecipado por este blog, o eleitor mais de direita pulou na sua maioria esmagadora para a campanha do candidato pelo DEM. Causou alguma surpresa, todavia, a migração de boa parte dos eleitores da candidata Sônia Francine para o ninho do democrata. A surpresa só não foi maior pelo fato de que, pelo que tudo indica, muitos eleitores da própria Marta também pularam, na última hora, para a esquadra governista.

A explicação do fenômeno talvez esteja naquilo que a petista chegou a considerar como um de seus grandes trunfos: a boa administração do presidente Lula. Como ficou amplamente demonstrado nos resultados em todo o Brasil, os prefeitos ou seus candidatos foram, em sua maioria, beneficiados pelo clima de estabilidade que vige no país. Certamente não é diferente com Kassab, que está se beneficiando do bom momento na economia, da ascensão de uma nova classe média, do orçamento mais encorpado, dos incrementos de arrecadação que, ao contrário do que os comentaristas de plantão nos querem fazer entender, não se concentram apenas em nível federal, mas se espalham, sim, em todas as esferas administrativas do país. Tudo isso é tão verdade que o prefeito, embora integrante do segundo principal partido de oposição a Lula, não somente tem evitado críticas ao presidente, como o tem elogiado quando possível.

Se as pessoas estão bem e satisfeitas com o conjunto de coisas, uma administração medíocre (na acepção da palavra) não vai encontrar oposição suficiente para ser rechaçada. Desse modo, o capital político do presidente não foi tão a favor de seus candidatos, mas atuou em benefício do continuísmo geral, desde que ao menos razoável.

Agora é esperar para ver se a candidata do PT conseguirá fazer frente a essa situação e se saberá usar a seu favor a popularidade de seu colega de partido, o Presidente da República. E o que ela precisa mesmo é recuperar os votos que perdeu para Kassab e angariar a maioria dos que ficaram com Soninha, pois em certos setores não adianta ela tentar, porque não conseguirá vencer as barreiras do preconceito.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Dylan e os "outros"

Em postagem anterior, erramos e acertamos acerca da vinda do genial Bob Dylan ao Brasil. Diferentemente do que disséramos, o mestre fará duas apresentações na cidade de São Paulo (pelo que se vê no site oficial do artista, a metrópole brasileira será a única cidade da América do Sul com mais de uma apresentação de sua atual turnê). E de acordo com o que já suspeitávamos, as apresentações serão a preço de ouro na Via Funchal (no momento em que publicamos esta, há ainda ingressos que variam de R$400,00 a R$900,00).

Este pobre blogueiro (e bota pobre nisso!) ficará de fora dessa rara – e cara – oportunidade. Por isso, para compensar, venho ouvindo muito Dylan: os sulcos do espetacular Blood on the Tracks (1974) têm sentido o toque da agulha do meu persistente toca-discos, e meu MP3 player está recheado de faixas esparsas dos álbuns The Freewheelin’ Bob Dylan (1963), Highway 61 Revisited (1965) e John Wesley Harding (1967).

Mas minha maior vontade no momento é a de lembrar o Dylan compositor, de cancioneiro gravado ad nauseam mundo afora, por artistas dos mais variados gêneros, e em todas as épocas. Vai aí uma lista de algumas das melhores canções de Robert Allen Zimmerman em outras vozes nem sempre tão anasaladas:

“All Along the Watchtower”, com Jimi Hendrix ou Bobby Womack;
“You Ain’t Going Nowhere” e “The Times They Are A-Changin’”, com The Byrds;
“My Back Pages”, com os Byrds de novo e também com Keith Jarrett;
“It’s All Over Now, Baby Blue”, com Them ou The Chocolate Watchband;
“Blowin’ in the Wind”, com Sam Cooke;
“I’ll Keep it With Mine”, com Nico;
“Jack O’ Diamonds”, com Fairport Convention;
“Knockin’ On Heaven’s Door”, com Eric Clapton;
“A Hard Rain’s A-Gonna Fall”, com Edie Brickell;
“If You Gotta Go”, com The Flying Burrito Brothers;
“Tears of Rage” e “I Shall Be Released”, com The Band.

Merece alguma consideração a versão em português - em verdade quase uma tradução – de “It’s All Over Now, Baby Blue”, feita por Caetano Veloso, bela na interpretação de Gal Costa, sob o título de “Negro Amor”; é boa também a leitura afro-pop de “Chimes of Freedom” por Youssou N’Dour; por fim, é interessante a “subversão” de “Subterranean Homesick Blues” feita pelo Red Hot Chili Peppers.

E você, caro leitor, citaria alguma de Dylan interpretada por outrem, que por acaso não tenha sido mencionada aqui?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Bob Dylan no Brasil: vai ser difícil ver


É praticamente certa a vinda de Bob Dylan ao Brasil em março de 2008. Informações preliminares dão conta de que, em São Paulo, a lenda fará apresentação única na Via Funchal.

A casa paulistana é conhecida pelos seus preços para lá de salgados; para a apresentação de um mito do século XX, eles - juntamente com os organizadores, claro - podem “meter a faca” à vontade que os ingressos certamente se esgotarão rapidinho.

Seria ótimo se houvesse uma apresentação desse genial artista de graça e ao ar livre, nos moldes daquela dos Rolling Stones na praia de Copacabana em 2006, ou dos já longínquos shows de Ray Charles e de B.B. King na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera, em 1995 e 96, respectivamente.

Ter-se-ia – como dizia Garrincha – que combinar com o adversário: precisaria apurar quanto o artista cobraria numa apresentação desse tipo e se ele toparia fazê-la. Fora isso, seria necessário o apoio de empresas. Há que se recordar, ainda, que as inesquecíveis performances de Ray Charles e B.B. King contaram com o beneplácito da prefeitura de São Paulo. Parece não haver neste momento clima para tal tipo de “gasto”.

Torcemos para que Dylan, que há alguns anos foi parar no hospital por problemas no coração, tenha uma vida muitíssimo longa e produtiva. Mas a sensação é de que essa terceira será a sua última apresentação no Brasil. Quem viu, viu... Aos que não virem, restará apenas entoar o velho refrão: “it’s all over now, baby blue”.