Mostrando postagens com marcador Marta Suplicy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marta Suplicy. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de novembro de 2009

"Taxab" e o IPTU: eu apoio

Qualquer pessoa responsável deve ser inexoravelmente a favor do equilíbrio nas contas públicas. Até mesmo nosso ordenamento jurídico posiciona-se de modo radical em relação a essa questão, haja vista a famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o bem de todos, não se deve, em nenhuma hipótese, permitir a deterioração das contas públicas.

O leitor decerto obtemperará com o argumento de que não há nada de distinto no fato de se apegar à necessidade – ou exigência – da saúde das contas públicas. De fato, nada mais é do que o óbvio ululante. O que se pode, em verdade, é ter soluções diferentes para quando um eventual desequilíbrio se avizinha.

O autor destas maldigitadas, por exemplo, é da opinião de que não se deve cortar investimento público para fechar as contas. Defendemos, antes, se for o caso, o aumento da receita. As maneiras mais simples – porém não as mais fáceis – de fazê-lo são através do aperto na fiscalização e, por óbvio, do aumento dos impostos.

Um dos mantras da classe média dos grandes centros urbanos, com o eco da grande imprensa, é a choradeira acerca do “abuso” do poder público na cobrança de impostos. Dificilmente se encontrará alguém que não reclame do peso da carga tributária e muito raramente se ouvirá falar de alguém que não tente, vez ou outra, sonegar para si ou ser complacente – ou até contribuir – para a sonegação de outrem. Imposto, como o próprio nome prenuncia, é algo que só existe porque se sabe que as contribuições não nasceriam da boa vontade e da iniciativa dos cidadãos organizados.

De qualquer maneira, está-se a todo momento usando dos serviços que são pagos com o dinheiro dos impostos, seja nos hospitais públicos, seja a polícia, a organização do trânsito etc. A própria roda do sistema – no nosso caso o modelo capitalista – gira, conforme cantado em prosa e verso pelo cultuado Max Weber, amparada na existência de uma ordem dependente de um aparato burocrático que exige o suporte de toda a sociedade. Já tive a oportunidade de desafiar: a classe média que tanto gosta do nosso status quo, experimente parar de pagar impostos, e certamente não gostará de ver abaladas as pilastras que seguram o modelo político-econômico que lhe permite ter uma identidade e representar algo para o mundo; ora, isso tem preço e alguém precisa pagar por ele!

Tudo isso para dizer que, em princípio, não nos opomos ao aumento do IPTU aventado pela prefeitura de São Paulo. É preciso, ainda, entender melhor as motivações do aumento que, segundo a imprensa, pode chegar à casa dos 60%. De todo modo, num primeiro momento não vemos problemas na "garfada", desde que seja de forma progressiva e com aplicação de justiça tributária. Afinal, o prefeito paulistano poderia, se quisesse, vir com o papo furado do corte de despesas, pois esse seria o caminho que agradaria a classe média chorona que o elegeu e a mídia intrometida que lhe vem dando sustentação, não tanto pelo bem dele mas sim para agradar o seu padrinho, o governador José Serra. Mas, ao propor aumento de impostos, o prefeito ao menos sinaliza estar disposto a enfrentar o problema sem paralisar a cidade.

Não dá para simplesmente aceitar que uma cidade como São Paulo congele investimentos ou corte serviços. Portanto, se necessário for, que se aumentem as taxas e tributos, com serenidade e justiça. Paciência! Se me permitem uma opinião antipática, devo dizer que, até pelo menos onde conheço - falando inclusive em causa própria -, o IPTU paulistano é bastante camarada. Porém, que fique claro, ao defender o aumento e o rigor na cobrança de tributos, estou imaginando que o prefeito Gilberto Kassab esteja pensando em assegurar sua aplicação no social, na saúde, na educação, na valorização do funcionalismo. Que ele não me decepcione!

Mas é chegada a hora do sarcasmo nosso de cada dia! Se não nos falha a memória, a ex- prefeita Marta Suplicy, adversária no segundo turno da eleição municipal de 2008, também derrotada por Kassab em chapa com o padrinho dele em 2004, ganhou a alcunha de “Martaxa” entre a elite e classe média chorona da capital . E o atual prefeito deve boa parte do apoio e dos votos que recebeu - tanto na condição de vice em 2004, como de titular em 2008 - ao discurso fácil do corte dos gastos públicos, o qual tende a refletir numa certa moleza tributária, tanto que deu certo explorar o apelido colado na adversária. E agora, com o aumento do IPTU, como é que fica?

Vamos esperar para ver o comportamento da classe média e da imprensa em relação a esse evento. Já rola por aí o apelido de “Taxab”. É de se presumir que ele ganhe os noticiários e o boca-a-boca com a mesma velocidade do “Martaxa”. E apesar de ainda estar um pouco longe, vamos ver como serão os debates no pleito de 2012. Será que algum candidato da direita terá a coragem de incorporar o discurso antitributos e, mais do que isso, acusar o candidato de esquerda mais competitivo de ser um perdulário criador de impostos?

A propósito, há uma questão que me incomoda desde a eleição de 2008. Por que a candidata Marta Suplicy não usou em sua campanha o fato de a administração Serra/Kassab não ter abolido a taxa de iluminação pública cobrada na conta de luz? Quer dizer, não é de hoje que esses dois apenas fingem – com interesses eleitoreiros – ser tão contrários a impostos. No fundo, governante nenhum é. Pobre da classe média que acredita no tro-lo-ló deles.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vagabundos de todo o mundo, relaxemo-nos!


O que seria deste humílimo blog não fossem os criativos e-mails que nos mandam vez ou outra?!

Há poucos dias, recebi de um amigo mensagem intitulada "A resposta do ano!!!", com a imagem que ilustra o presente (veja ao lado), devidamente anexada. Como o leitor pode ler, trata-se de uma foto com uma faixa destacando a seguinte frase: "Tá perdendo Marta? Relaxa e goza!" (sic)

Não sei se realmente houve alguém que se deu ao trabalho de mandar produzir e depois, ao arrepio das leis municipais, pendurar nas vias públicas semelhante faixa. Talvez seja apenas uma montagem bem realizada... Mas, seja como for, o autor daquela bobagem não é muito devotado às regras gramaticais, haja vista que se esqueceu de separar o vocativo por vírgula (o certo seria " perdendo, Marta?). Mas, bem, deixa para lá, afinal o autor destas maldigitadas não tem tanto direito assim de ficar falando dos erros de português dos outros!

Mas, de qualquer forma, ouviu-se muito durante a campanha pela prefeitura de São Paulo a menção à infeliz frase de Marta Suplicy, proferida quando do lançamento do Plano Nacional de Turismo, em 2007, exatamente no auge da assim chamada crise aérea. A frase com certeza foi infeliz, como já dissemos. Porém, apresentada de forma recortada, ela fica descontextualizada. Em verdade, a então ministra do Turismo disse: "Relaxa e goza porque você esquece todos os transtornos depois [ao chegar ao destino]", mais adiante, arrematou: "Isso é igual a parto. Depois esquece tudo". Pois bem, amigo leitor, honestamente, você pensa de forma muito diferente? Se o paciente leitor não se importa, contarei um relato pessoal. Há exatamente três anos, minha esposa viajou para a Europa. Saiu de São Paulo animadíssima rumo a Berlim, porém com conexão em Madri. Mas, na manhãzinha do dia seguinte, eis que atendo um telefonema. Era ela chorando, xingando, reclamando: as autoridades espanholas inexplicavelmente a detiveram. Só o que ela dizia é que queria voltar, queria voltar, porque queria voltar, a viagem já era, estava tudo estragado, o sofrimento era infindável, que ela não tinha sorte, que as coisas só aconteciam com ela etc. etc. etc. E eu, de meu lado, simplesmente lhe disse: "calma, neném, vai dar tudo certo. Assim que você chegar à Alemanha e começar a fazer os passeios, a realizar as suas atividades, a curtir tudo o que planejou, você vai esquecer os dissabores. Fique tranqüila...". Olha, faltou pouco para eu dizer "relaxa e goza"! Ah, antes que eu me esqueça, só para variar eu estava coberto de razão: rapidinho ela esqueceu as sacanagens cometidas em solo espanhol.

Sei que muita gente ficou chocada com a expressão um tanto chula (relaxa e goza), talvez até mais do que com os possíveis contextos da frase da petista. Mas, cá entre nós, é um pouco de moralismo demais numa era em que as crianças falam coisas muito piores sentadas à mesa de jantar. Isso quando se sentam à mesa para jantar...

Os políticos em geral medem muito as palavras. Ao mesmo tempo, e paradoxalmente, costumam deixar ser engolidos pela incontinência verbal. O povo e a mídia, entretanto, adoram isolar as besteiras por eles proferidas de seus contextos originais. A ex-ministra, portanto, não foi a primeira vítima de tal golpe baixo. Por exemplo, o "estupra mas não mata", de Paulo Maluf, também soa pior quando isolado do verdadeiro objetivo do folclórico político ao dizê-lo: em realidade, Maluf quis mostrar-se indignado com o fato de uma pessoa cometer um ato que já seria execrável por si só e ainda incrementá-lo com o "evento" morte; noutras palavras, ele, em momento de absoluta infelicidade, quis valer-se de expressão semelhante a muitas não raro repetidas por aí, do tipo "pô, já roubou, precisa bater, ou precisa matar?"... Outro que se estrepou por usar adjetivo errado no momento errado foi FHC, ao chamar certo tipo de aposentado de "vagabundo". O ex-presidente estava se referindo a um seleto grupo beneficiário de aposentadorias especiais, mas o que se viu na época foi um verdadeiro exército de velhinhos que não se enquadravam na descrição daquele "séqüito" transbordando indignação pela agressão que, a bem da verdade, repita-se, em absoluto não se dirigia a eles. Tudo bem que os tais beneficiários de aposentadorias especiais não cometeram nenhum crime, afinal estavam aposentados por força de lei da época. De todo modo, fora de contexto, a frase de Fernando Henrique soa pior do que o que ela realmente significava.

Mas, além da incontinência, há o destempero verbal. Neste quesito é difícil imaginar alguém que supere o prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab, que, também em 2007, durante a inauguração de um posto de saúde em Pirituba, agrediu um munícipe: "sai daqui, vagabundo!", fato que o simpático leitor certamente se lembra. Com efeito, é bem a cara da elitista São Paulo: choca-se com o "conselho" de Marta Suplicy aos (em sua maioria) privilegiados usuários do transporte aéreo, punindo-a com altos índices de rejeição, mas aprova o homem público que humilha um manifestante pobre, premiando-o com respeitável votação (com perdão do eco!).

É claro que, no andar da carruagem, houve boa dose de pragmatismo e alguma memória seletiva por parte do eleitor. Mas, na época, quando do "arroubo kassabiano", houve, de fato, o ensaio de certo repúdio, aqui e acolá, tanto por parte da mídia quanto da gente comum. Mas as pessoas apenas se mostravam indignadas com a situação pelo fato de o Sr. Kaiser, o cidadão vilipendiado pelo prefeito, ser comprovadamente um homem honesto e trabalhador. Ora, mesmo que ele fosse realmente um vagabundo, não caberia ao prefeito ter agido daquela maneira tresloucada nem ter se dirigido de forma a diminuir a dignidade daquele ser humano. Noutras palavras, não é função de prefeito enxovalhar "vagabundos", mesmo quando for o caso.

Como já disse, não dá para ter certeza se existiu mesmo a tal faixa e se ela de fato foi colocada em local público. Caso tenha sido verdade, não deixa de ser irônico que um - pelo que tudo indica - eleitor do prefeito da lei "cidade limpa" não tenha tido pudores de emporcalhar a cidade, infringindo as leis de posturas municipais. Cá entre nós, é coisa típica da classe média paulistana! Pobre São Paulo!!!


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - Debates para quem precisa

Para que servem os debates?

Os políticos sempre falam da importância deles; a imprensa lhes dá o maior cartaz; alguns eleitores dissimulados afirmam ser eles importantes na hora de decidir o voto.

Será que é tudo isso mesmo?

Na primeira pesquisa do Datafolha para o segundo turno da disputa na capital de São Paulo foi medida a cristalização do voto. Ela não era nada desprezível: a maioria esmagadora dos eleitores garantiu que ja havia definido, sem chances de mudar, o seu candidato. É de se presumir, portanto, que os debates não afetam um tão grande número de eleitores assim.

Mas, a despeito disso, já ocorreram dois debates de Marta e Kassab, um na Bandeirantes e outro na Record, e ocorrerá um terceiro na Globo. Já os vimos trocando acusações, ela falando do que fez, ele falando do que está fazendo; no mais, quase nada de propostas, apenas "promessas" que se repetiram em ambos os debates e que certamente "baterão ponto" novamente no derradeiro que está por ocorrer.

Mas toda a discussão acerca dos debates e seus desdobramentos não deve ser de graça. Provavelmente é conseqüência dos exageros da mídia, a única que realmente se beneficia dessa overdose, pois sempre pode explorar as farpas, as gafes, as polêmicas que inevitavelmente ocorrem nesse tipo de encontro.

Já para a sua excelência, o eleitor, não serve para nada. Pergunto: será quantos eleitores deixarão de votar em Gilberto Kassab por ele ter sido desmascarado, no debate da Band, quanto à questão da licença de 180 dias das servidoras do município, por exemplo? Numa pergunta sobre o assunto, Marta deu um golpe mortal no candidato do DEM, chamando atenção para o fato de que ele vetara o projeto, para depois, eleitoreiramente, reapresentá-lo. Não vi, no dia-a-dia, nenhuma ressonância sobre tão importante demonstração do caráter do candidato, numa prova cabal de que o ser péssimo e o ser ótimo no debate talvez esteja separado por uma linha muito tênue.

Seja sincero, caro leitor: algum dos candidatos foi tão melhor assim no debate da Record? Penso que não, houve um equilíbrio, sem dúvida. Mas algumas horas depois, enquete do site do Estadão dava que o prefeito fora melhor para 86% dos votantes. Ora, ainda que se admitisse que Kassab possa ter se saído melhor, não foi nada que justificasse uma "lavada" daquelas! Em verdade o que ocorre é que, como seria de se esperar, os leitores do superconservador jornal paulistano apóiam em peso o candidato democrata. Nada mais fizeram, pois, do que manifestar suas preferências. Nada de novo no front: se Kassab tivesse passado a noite inteira só olhando para a câmera, fazendo caretas ou piscando para as suas (agora) pretendentes, ele continuaria parecendo o melhor para 86% de potenciais leitores do Estadão, pode apostar!

Depois alguém me conta como foi o debate da Globo, pois eu não pretendo perder meu tempo.

Obrigado!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - Hipocrisias

Polêmica que vem agitando a campanha pela sucessão da prefeitura paulistana não mostra apenas a desfaçatez dos políticos, mas também diz muito sobre o caráter prático da conduta do eleitor.

Marta Suplicy, mulher que de longa data trabalha em prol do respeito à diversidade e em favor de uma melhor educação sexual, permitiu que sua equipe de campanha veiculasse propaganda que fazia insinuações sobre a vida íntima de seu adversário. Chamemos esse evento de “cara-de-pau nº1”.

Como o leitor deve ter presumido, existe uma “cara-de-pau n°2”, e ela vem justamente do prefeito e de seu partido e de seus aliados. Mostram-se ofendidos, mas sempre adoraram espezinhar sobre a vida pessoal de seus adversários e não são dados a ter papas na língua na hora de fazer críticas à dimensão meramente humana, por assim dizer, de seus antagonistas (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o diga!).

Quem não se lembra de a campanha de José Serra, padrinho de Kassab, em 2002, tripudiar em cima da escolaridade do então candidato Lula? Já a própria Marta, em 2004, sofreu forte onda de preconceito em decorrência de decisões pessoais concernentes à sua vida conjugal. Mas tudo isso, em vez de habilitá-la a ela e a seu partido a usarem de expediente tão baixo, deveria antes servir-lhes de recomendação para serem mais zelosos com comentários sobre a vida pessoal alheia.

Mas falemos do eleitor. Em nome da elegância, evitaremos com muito custo de falar de uma “cara-de-pau nº3”, mas a grande verdade é que nós cidadãos não sabemos bem para que lado vamos e costumamos ter um moralismo para lá de seletivo, de acordo com nossas preferências: o mesmo sujeito que sempre odiou a Sra. Marta Suplicy em virtude de sua atuação simpática às causas dos homossexuais, agora se mostra chocado com uma possível exploração sobre a vida sexual de seu adversário. O mesmo eleitor que talvez a tenha abandonado em 2004 por causa de seu casamento desfeito, considera hoje sem sentido a pergunta sobre a vida conjugal (ou a ausência dela) do prefeito Kassab.

Tudo isso só prova que estamos todos no mesmo barco: a ex-prefeita com sua incompreensível baixaria, o atual prefeito e o seu partido com sua cínica indignação, e nós os eleitores com o nosso, digamos, “pragmatismo”!

domingo, 12 de outubro de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - Marta e Kassab

E o prefeito Kassab aparece com respeitável dianteira em relação à ex-prefeita Marta, segundo pesquisa de opinião.

Como já era previsível, e de certo modo fora antecipado por este blog, o eleitor mais de direita pulou na sua maioria esmagadora para a campanha do candidato pelo DEM. Causou alguma surpresa, todavia, a migração de boa parte dos eleitores da candidata Sônia Francine para o ninho do democrata. A surpresa só não foi maior pelo fato de que, pelo que tudo indica, muitos eleitores da própria Marta também pularam, na última hora, para a esquadra governista.

A explicação do fenômeno talvez esteja naquilo que a petista chegou a considerar como um de seus grandes trunfos: a boa administração do presidente Lula. Como ficou amplamente demonstrado nos resultados em todo o Brasil, os prefeitos ou seus candidatos foram, em sua maioria, beneficiados pelo clima de estabilidade que vige no país. Certamente não é diferente com Kassab, que está se beneficiando do bom momento na economia, da ascensão de uma nova classe média, do orçamento mais encorpado, dos incrementos de arrecadação que, ao contrário do que os comentaristas de plantão nos querem fazer entender, não se concentram apenas em nível federal, mas se espalham, sim, em todas as esferas administrativas do país. Tudo isso é tão verdade que o prefeito, embora integrante do segundo principal partido de oposição a Lula, não somente tem evitado críticas ao presidente, como o tem elogiado quando possível.

Se as pessoas estão bem e satisfeitas com o conjunto de coisas, uma administração medíocre (na acepção da palavra) não vai encontrar oposição suficiente para ser rechaçada. Desse modo, o capital político do presidente não foi tão a favor de seus candidatos, mas atuou em benefício do continuísmo geral, desde que ao menos razoável.

Agora é esperar para ver se a candidata do PT conseguirá fazer frente a essa situação e se saberá usar a seu favor a popularidade de seu colega de partido, o Presidente da República. E o que ela precisa mesmo é recuperar os votos que perdeu para Kassab e angariar a maioria dos que ficaram com Soninha, pois em certos setores não adianta ela tentar, porque não conseguirá vencer as barreiras do preconceito.

sábado, 27 de setembro de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - Última leitura antes do provável segundo turno

O PSDB governa o Estado de São Paulo há mais de 20 anos, sempre com boa aceitação na capital; Geraldo Alckmin fez-se presente desde o início desse ciclo, primeiramente como vice de Covas, depois o sucedendo na vaga deixada pelo falecimento do titular, elegendo-se por via direta posteriormente e preparando o terreno para o sucessor pelo seu partido; o tucano teve uma gestão bem avaliada e foi, ainda, o candidato à sucessão presidencial preferido pelos paulistanos em 2006. Tudo isso parecia sugerir uma melhor sorte para o ex-governador na corrida pela prefeitura da Cidade de São Paulo.

Havia a favor de Alckmin, ainda, a resistência, por parte de alguns setores, ao nome da ex-prefeita Marta Suplicy e à administração tida como medíocre (na verdadeira acepção da palavra) do prefeito Gilberto Kassab. O candidato do PSDB, diferentemente de ambos, parecia contar com bom trânsito nos diversos estratos do município e ostentava, conforme já dissemos, a imagem de bom administrador.

Todas as pesquisas, porém, apontam um cenário em que a petista aparece com boa dianteira e que o postulante à reeleição emerge como bem mais do que um ator coadjuvante. Alckmin deve ter sido pego de surpresa. Talvez a mesma surpresa do autor destas maldigitadas. Se ele vislumbrasse essa possibilidade, certamente não teria brigado para ser candidato pelo PSDB, antes acataria a orientação, defendida - ainda que timidamente - por alguns líderes de seu partido, de apoiar a reeleição de Kassab.

Com o horário político e com a campanha nas ruas, Marta pôde mostrar algumas de suas realizações no município e apresentar propostas que parecem dar continuidade ao trabalho anteriormente feito. Kassab, por sua vez, conseguiu melhorar a sua imagem, agindo como alguém que está tendo a chance de dar publicidade a obras de sua administração que não apareciam na mídia. Já Geraldo Alckmin talvez tenha ficado com a pecha de alguém que não fez muita coisa pelo município e que, depois de ter sido governador e de ter sido derrotado à sucessão presidencial, quer a prefeitura como um tapa-buraco ou como um prêmio de consolação.

Caso se confirme, a derrota política do ex-governador seria de grande monta. Sem dúvida que ele ficaria com a imagem de grande desagregador. Lembremos que ele teve que brigar muito para ser candidato a presidente em 2006, quando muitos tucanos tinham a certeza de que José Serra seria um nome muito mais competitivo. E “batata”, Alckmin teve uma derrota humilhante no segundo turno, enquanto Serra ganhou fácil para governador ainda no primeiro turno. Agora em 2008, contrariando caciques e desagradando bases que estão engajadas desde a primeira hora na administração Kassab, o tucano insistiu em lançar candidatura própria, dividindo o partido e, ainda por cima, sem conseguir as facilidades que até seus antípodas achavam que ele teria.

Fiquemos por aqui, pois já erramos muitos prognósticos. Próximo comentário, somente depois do escrutínio de 5 de outubro.

domingo, 14 de setembro de 2008

Eleições Municipais - São Paulo - Marta, Kassab e Alckmin

As pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo divulgadas nesta semana devem reforçar certos modelos de atuação dos principais candidatos, modelos estes que se esboçaram no debate promovido pela Rede Bandeirantes na última quinta-feira.

Marta Suplicy, que já tinha muito que se ocupar com Geraldo Alckmin, agora não pode descuidar do ascendente Gilberto Kassab. Do mesmo modo, Alckmin, que imaginava que polarizaria com Marta e que deveria preservar Kassab, potencial aliado num eventual segundo turno, precisa agora voltar as cargas também contra o atual prefeito. Já o candidato à reeleição, por seu turno, talvez não tenha tanto que alterar sua estratégia inicial, haja vista que desde o começo já precisava voltar artilharia contra a candidata do PT e brigar pela posição de “anti-Marta” com o candidato tucano.

Depreende-se disso tudo que o prefeito herda, nesta altura do campeonato, a posição mais confortável na campanha: Marta e Alckmin entraram na disputa acreditando que teriam, cada um, um único adversário; Kassab, por sua vez, sempre soube que precisaria brigar com os dois. Portanto, enquanto a petista e o tucano ganharam um adversário de peso a mais, o que requererá mudanças de atuação, o democrata prosseguirá tentando manter a segunda posição contra Alckmin, ao mesmo tempo em que deve continuar mirando a ex-prefeita, com vistas a não deixar que ela dispare, ou seja, Kassab pode prosseguir, no geral, os princípios de sua campanha.

Numa próxima oportunidade, tentaremos discutir por que Alckmin, ex-governador bem avaliado, político de projeção nacional, candidato à Presidência da República bem-sucedido na capital paulista, não apenas fica muito atrás em relação a Marta Suplicy, como ainda se deixa ultrapassar por Gilberto Kassab. O que explica?

sábado, 30 de agosto de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - O que acontece com Alckmin?

Dentre as explicações para a até aqui decepcionante posição de Geraldo Alckmin nas pesquisas sobre a intenção de votos pela Prefeitura de São Paulo está o fato de o seu partido se apresentar um tanto dividido na disputa. Boa parte da máquina do PSDB está engajada na campanha de reeleição do prefeito Gilberto Kassab, e caciques como o governador José Serra vêm sendo acusados de ter posição não muito convicta no apoio a Alckmin.

Outro aspecto que não se deve descartar – e ele é por demais curioso – é que ocorre com a “direita” na cidade de São Paulo um fenômeno que sempre foi motivo de lamentação nas esquerdas: a desunião. O somatório das intenções de voto em Alckmin, Kassab e Maluf superaria a da ex-prefeita Marta Suplicy, que por ora lidera com relativa folga a disputa, beneficiando-se da pulverização da preferência dos candidatos de perfil mais conservador.

Este blogueiro acreditou que as coisas seriam mais róseas para o candidato tucano, que açambarcaria logo de início considerável parte das intenções de voto no atual prefeito e no folclórico “Dr. Paulo”. Isto não vem ocorrendo. É muito cedo ainda, e talvez o ex-governador acabe conseguindo se apresentar como o principal candidato conservador que tanto agrada a classe média e a elite paulistana, por ora dividida. Porém, como bem lembrou o jornalista Clóvis Rossi, não sem certa desolação, o problema é que, dos quatro primeiros nas pesquisas, o único que efetivamente perdeu votos fora da margem de erro foi justamente o postulante pelo PSDB.

Mas falar em “direita” e “esquerda” nas eleições municipais de São Paulo talvez seja pedantismo. É muito provável que o eleitor médio não se atente a tais questões, pelo menos não de forma muito consciente. E revendo posição anteriormente explicitada, não é nenhum disparate dizer que a candidata Marta Suplicy, do PT, poderia ser a maior beneficiária de certa “desideologização” num eventual segundo turno.

Mas sejamos humildes: se erramos na crença de que Alckmin encontraria vida mansa na disputa pela prefeitura da maior metrópole do país, nada impede que também estejamos enganados agora.

Vamos aguardar.

domingo, 24 de agosto de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - uma questão de classe

Primeiramente, vi no blog Entrelinhas uma notícia, seguida de análise, sobre uma aluna da FAAP que teria dito, após uma palestra da candidata Marta Suplicy naquela instituição, que o problema da ex-prefeita “é que ela não faz nada pelos ricos” (clique aqui para ler). Depois, ouvi com “meus próprios ouvidos” uma colega dizer que Marta só foi boa para os “fins de mundo” da cidade, deixando as regiões mais nobres e os tradicionais redutos de classe média a ver navios.

Cabe aqui lembrar um articulista do Observatório da Imprensa que acerca de polêmica sobre a concentração da alta popularidade do presidente Lula entre os mais pobres, afirmou que o contrário é que deveria ser consideradoo uma anomalia num país desigual como o Brasil, ou seja, um governante ser adorado pelos ricos e odiado pelos mais necessitados. No caso de Marta, cairia bem uma paráfrase: em São Paulo, absurdo teria sido a ex-prefeita ter “feito muito pelos ricos” e ter sido boa apenas para os “umbigos do mundo” fincados na cidade!

Entretanto, não estou muito convencido de que Marta Suplicy não tenha feito nada pelos ricos, até porque numa democracia burguesa os políticos não conseguem sobreviver sem alguns acenos aos mais bem aquinhoados. Tampouco considero que ela tenha feito tanto assim pelas periferias da cidade, ainda mais se pensarmos que, em vista do abandono dos rincões do município, por mais que se faça, as demandas nesses lugares sempre tendem a se multiplicar.

De todo modo, é curioso que na maior cidade do país pareça tão vivo o surrado conceito marxista de luta de classes. É o rico contra o pobre, é o centro contra a periferia! Tal tipo de agenda pode dificultar um pouco as coisas para o principal adversário da candidata do PT, o tucano Geraldo Alckmin. Ele terá que aproveitar a rejeição de Marta entre os paulistanos de melhor renda e das regiões mais centrais da cidade, buscando se fortalecer como o candidato desse segmento. Ao mesmo tempo, precisará galgar pontos entre os mais pobres, sem se deixar colar a imagem de “candidato dos ricos”.

A essa altura, os marqueteiros já devem estar traçando estratégias para “vender” o respectivo candidato como o “prefeito da cidade inteira”, como “aquele que quer trabalhar para cada bairro dessa cidade” e coisas do gênero. Quanto à classe... classe? Que classe?

domingo, 17 de agosto de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - nova pesquisa IBOPE

Einstein certa vez disse que se num primeiro momento uma idéia não é absurda, então há esperança para ela. A idéia de que Marta Suplicy pode voltar a sagrar-se prefeita de São Paulo no próximo pleito está muito longe de ser absurda. Este blog, entretanto, continua insistindo que as condições são mais favoráveis ao ex-governador Geraldo Alckmin, a despeito da pesquisa IBOPE que mostra a prefeita com 15 pontos de vantagem.

A aritmética conspira a favor do tucano. De acordo com a última pesquisa, Maluf e Kassab detêm juntos 17% da preferência. Parece-nos muito razoável que a maioria esmagadora desse contingente caia nos braços do ex-governador na primeira oportunidade, mesmo que essa oportunidade seja somente no segundo turno. Um ajustezinho aqui, outro acolá, e Alckmin levaria, mesmo que de forma um pouco apertada.

Marta Suplicy pode, porém, estar tendo a seu favor a medíocre administração de Kassab, que traz a lembrança de que ele foi, em verdade, eleito como vice do tucano José Serra, que, apesar das reiteradas promessas, abandonou a prefeitura. Ainda que de forma indireta, isso pode estar atrapalhando Alckmin, pois o eleitor rapidamente o associa com a figura do atual governador e talvez fique vislumbrando a possibilidade de a história se repetir daqui a dois anos. A ex-prefeita, derrotada em 2004, seria a beneficiária natural dessa insatisfação do eleitor por conta daquela, digamos, “traição”. Além disso, Marta, que já conta com boa penetração nas periferias da cidade, pode também estar conquistando algum espaço nas regiões mais centrais e nos redutos de classe média por conta principalmente do trânsito caótico. Ainda que de forma insuficiente, seus investimentos em transporte coletivo e a construção de corredores quando prefeita representaram iniciativas importantes nesse campo. Hoje, dificilmente um jornal de grande circulação estamparia na sua primeira página a reclamação de um comerciante da Avenida Rebouças de que seria um absurdo ele fazer, de carro, em 40 minutos, o mesmo trajeto que um ônibus fazia em dez após a entrada em operação de corredor naquele logradouro! Que “inversão de valores”, deve àquela época ter pensado o rapaz, chancelado pelo nosso grande jornal! A cabeça da classe média tradicional pode ter mudado um tiquinho sobre o assunto e isso talvez esteja beneficiando, ainda que timidamente, a ex-ministra do Turismo.

A pesquisa IBOPE mostra que este blog talvez tenha exagerado no acreditar que as coisas seriam mais fáceis para Geraldo Alckmin na pendenga deste ano. Agora é torcer para que também estejamos errados quanto ao possível abandono da prefeitura antes do tempo tanto por parte da petista quanto do tucano.

sábado, 26 de julho de 2008

Palpites sobre "eleições municipais - São Paulo - 2008"

A mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida pela Prefeitura de São Paulo mostra uma clara polarização entre as candidaturas da petista Marta Suplicy e do tucano Geraldo Alckmin, que deverão estar disputando o segundo turno no último domingo de outubro deste ano.

Aldo Rebelo ou Campos Machado?
Este blog humildemente insiste na tese de que nem Marta nem Alckmin ficará os quatro anos à frente da Prefeitura. Por isso, é bom que o eleitor se lembre de que ao sufragar qualquer um dos dois está também votando no seu vice, a saber, Aldo Rebelo pelo lado de Marta, e Campos Machado, por parte de Alckmin: um deles pode acabar herdando a administração da maior cidade da América do Sul.

Tal cenário, se confirmado, pode infelizmente estar configurando uma tendência: políticos de peso em nível nacional candidatam-se a prefeito da maior cidade do país não para solucionar os seus enormes problemas, mas para usá-la como atalho para caminhos mais vastos e mais longos.

Não duvido que outros candidatos tentarão explorar a possibilidade de tal situação e que até mesmo os eleitores questionem os dois principais postulantes do pleito sobre suas reais intenções. Daí é só esperar que uma ação coordenada demova a ex-prefeita e o ex-governador da secreta idéia de se candidatar a governador ou até mesmo a presidente da República em 2010.

E como são só conjeturas, o jeito é torcer que, para o bem da cidade, o blog esteja apenas cometendo alguns de seus já notórios erros de análise.

Marta ou Alckmin?
Dada a situação de polarização entre a candidata do PT e o do PSDB, já se pode pôr as bolas de cristal para funcionar e começar a imaginar para onde migrarão os votos dos eleitores que insistirão em votar noutros candidatos. É um pouco cedo ainda, mas os exercícios de futurologia parecem ser francamente favoráveis a Geraldo Alckmin.

As pesquisas mostram o tucano ligeiramente atrás da ex-ministra, mas ainda dentro da margem de erro, ou seja, na condição de empate técnico. Longe da corrida, mas com respeitáveis intenções de voto, há dois candidatos que se pode classificar como “de direita”, são eles o prefeito Gilberto Kassab e o lendário Paulo Maluf. A tendência é que a maioria esmagadora dos eleitores de ambos prefira Geraldo Alckmin no mais do que provável segundo turno. Eu iria um pouco além e arriscaria dizer que no decorrer da disputa talvez até vigore o chamado voto útil em favor do candidato do PSDB, o que o deixaria na frente da petista ainda no primeiro turno.

De uma perspectiva mais ampla, Marta ainda deve sofrer com a piora no cenário nacional, com ligeira queda de popularidade do presidente Lula, o que certamente será explorado em nível local.

O certo agito inflacionário, uma vez propagado pela mídia, trará um pequeno mas importante descontentamento com o Governo Federal, prejudicando os candidatos aliados do Planalto. De quebra, o segundo semestre deve ainda apresentar a conta da “mãozinha” dada pelo Banco Central, que com o aumento dos juros está fazendo a famosa aposta no círculo vicioso representado pela equação do “menos crescimento, menos emprego e menos renda que geram menos crescimento, menos emprego e menos renda”. Decerto que tudo isso trará desgaste para os candidatos que tenham proximidade com o presidente. Desgaste desnecessário, diga-se; afinal, tal despertar inflacionário está mais ligado à conjuntura internacional e talvez sobreviva mesmo com o aumento de juros domésticos, o que insinuará um ambiente desalentador: inflação levemente persistente num clima de crescimento retraído. Em tal ambiente, não há negar que Marta perde e Alckmin - que ainda teve a seu favor o fato de ter sido o antagonista de Lula nas últimas eleições presidenciais – ganha.

Alia jacta est!

domingo, 30 de março de 2008

Marta LIDERA a corrida pela prefeitura de São Paulo

A ex-prefeita e atual Ministra do Turismo, Marta Suplicy, segundo pesquisa do DATAFOLHA publicada neste domingo, está à frente do ex-governador Geraldo Alckmin na corrida pela sucessão da prefeitura paulistana. De acordo com o levantamento, Marta tem 29% da preferência do eleitorado e Alckmin, 28%.

A manchete da Folha admite a subida de Marta, mas esconde que ela está na dianteira, afirmando que a petista está, em realidade, empatada com o tucano. A repercussão da notícia no canal BandNews repetiu praticamente as mesmas palavras do jornal, enfatizando a condição de empate técnico.

A rigor, trata-se realmente de um empate. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, não seria impossível que, se as eleições ocorressem hoje, o ex-governador tivesse 31% contra 26% da ex-prefeita. No limite, seria plausível também que a ministra chegasse aos 32% ante 25% do pré-candidato do PSDB.

Mas o que chama realmente a atenção é que, quando o tucano está na dianteira, não se sonega tal informação, ainda que a sua vantagem também esteja dentro da margem de erro. Os meios de comunicação, em verdade, não o omitem em absoluto. Mas a fundamental advertência quanto à margem vem sem dúvida com menos destaque.

Como evento político - e mesmo jornalístico – está o fato de a pré-candidata do PT ter subido na preferência do eleitorado, ao passo que o ex-governador caiu. Será que a imprensa não acha isso mais interessante do que o fato – importante, sem dúvida – de ambos estarem tecnicamente empatados?

A julgar pela gangorra e pelos números apertados, é bem provável que a disputa entre os dois candidatos seja acirrada e que traga muita emoção para o quadro político nacional. Este blog, no entanto, acredita – e decerto que não é nada original nisso – que nenhum dos dois candidatos tenha compromissos efetivos com a cidade, e aposta que o vencedor usará a administração da maior metrópole do hemisfério como um “tapa-buraco” até as eleições de 2010, de olho na governança do maior estado do país ou até mesmo na presidência da República. (a este propósito, leia o nosso Eleições municipais - São Paulo 2008: escolha o seu vice).

sábado, 12 de janeiro de 2008

Eleições municipais - São Paulo 2008: escolha o seu vice

Se as coisas ficarem dentro do script, os maiores partidos do Brasil deverão disputar a eleição para prefeito da cidade de São Paulo em 2008 com pesos pesados da política nacional: o PT virá com a ex-prefeita e atual Ministra do Turismo, Marta Suplicy, e o PSDB pleiteará a prefeitura com o ex-governador e candidato derrotado à Presidência da República Geraldo Alckmin.

Muito dificilmente qualquer um deles ficaria os quatro anos à frente da prefeitura da maior cidade do país. Em 2010, com as eleições para o governo do Estado, tanto Marta quanto Alckmin apareceriam como candidatos quase “naturais” de seus partidos. É notória a dificuldade do PT em apresentar novos nomes, tanto em nível federal como no âmbito de São Paulo, estado que é seu berço. Nesse vácuo, o nome da “prefeita” agigantar-se-ia como única candidata com chances de derrotar a hegemonia do PSDB. No ninho tucano, a menos que o partido queira repetir o erro de 2006, é quase impensável que seus integrantes não queiram disputar o principal cargo da República com o seu nome mais popular. Assim sendo, o governador Serra será candidato a presidente. Desse modo, o tucanato terá que disputar o governo do Estado com outro de seus ases. É certo que existirão brigas internas, mas o nome do ex-governador, “rebaixado” à condição de prefeito (se for o caso), surgirá como uma carta na manga para a agremiação continuar mandando em São Paulo.

Dessa forma, se eleito um dos dois, quem ficará a maior parte do tempo à frente da prefeitura da megalópole será o respectivo vice. Tal advertência fora repetidamente feita no pleito de 2004, afinal todo bom analista sabia que Serra não ficaria na prefeitura durante todo o mandato. Verdade seja dita, é muito provável que a então prefeita Marta, se reeleita fosse, também sairia para disputar o cargo de governadora. A diferença é que, em vez de Kassab, o prefeito hoje seria Rui Falcão.

É evidente que não é possível ter acesso aos estados mentais das pessoas – nem aos anseios programáticos secretos dos partidos políticos. Quer dizer, pode até ser que tanto a petista quanto o tucano sonhem com a prefeitura e queiram realmente ficar sentados na principal cadeira do antigo prédio do BANESPA até o final do mandato, o que poria por água abaixo o presente prognóstico. Mas a se confirmar a suspeita de que o término do mandato ficará para o vice, ter-se-á que rediscutir os rumos da política na mais importante cidade do país, pois ela não poderá ser pelo resto de seus dias um mero trampolim para a ambição de alguns políticos brasileiros: o prefeito teria que realmente querer ser prefeito e estar comprometido com os interesses da cidade.

Uma triste curiosidade é que o risco de isso ocorrer praticamente se anularia caso fosse reeleito o atual prefeito, o qual dificilmente abdicaria da chance de ficar mais quatro anos como indiscutível “dono” do cargo que herdou. Resumindo: pobre São Paulo!