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quarta-feira, 31 de março de 2010

Veja no além

A mais recente edição de Veja, depois de duas semanas requentando o "caso Bancoop", cedeu ao imenso interesse despertado pelo julgamento do casal Nardoni, no que foi seguida pelos outros hebdomadários, à (honrosa) exceção de CartaCapital. Na capa, a manchete: "Condenados! Agora, Isabella pode descansar em paz".

Em primeiro lugar, seria interessante que a revista nos contasse de onde vem toda essa certeza de existência de vida após morte. Questão meramente de fé. E ingênuos como eu pensam que órgãos informativos supostamente sérios deveriam buscar ser mais racionais... Pior do que isso: pelo jeito a Veja ainda por cima tem acesso direto à alma da garotinha, a qual, afirma, não vinha tendo o devido e merecido descanso. Poder mediúnico ou mera pretensão?

O semanário da Abril, no entanto, não quer ficar apenas no mundo sobrenatural. Tampouco o quer, segundo ele, a garota brutalmente assassinada. A despeito da pouca idade que tinha quando morreu - ou que teria agora -, a pequena Isabella jamais conseguiria descansar enquanto ao caso não se aplicasse a justiça dos homens, com os ritos processuais e condenações prescritos nos códigos, levados em frente sob os auspícios do Direito Positivo. Revistinha esperta: "temos pinta de religiosos, mas com os dois pés fincados no mundo terreno mesmo!".

Já que é Semana Santa, fica a torcida para que a revista não caia na tentação de descer novamente à terra. Que continue no "outro mundo", no "além", uma vez que tem esse privilégio que muitos de nós não temos. E caso desça ao mundo terreno, que não seja para nos torrar a paciência com o já citado "caso Bancoop". Todavia, se for para falar nele - afinal ninguém é de ferro! -, que ofereça destaque ao "pito" que o juiz da causa deu no, por assim dizer, precipitado promotor que cuida do caso!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Durma bem!

A revista Época da semana que termina trouxe como destaque de capa a sitação de Cuba. Sua manchete principal fazia um interessante jogo de palavras entre o “sonho” socialista e o “pesadelo” da vida real naquele país. Entretanto, em provável ato falho, o editor permitiu que a mesma edição trouxesse, ainda que em letras menores, uma pequena chamada no canto superior esquerdo da capa que apontava o risco de recessão nos Estados Unidos e as suas possíveis conseqüências no Brasil.

A infelicidade da produção da capa deixa bem clara uma coisa: as noites mal dormidas podem ocorrer em qualquer lugar do planeta, seja no "inferno" socialista de Cuba, seja no "paraíso" capitalista do Tio Sam; com uma agravante: no epicentro do capitalismo, e como decorrência da economia altamente globalizada, o mal-estar noturno pode ter efeitos bem mais devastadores do que o “insular” pesadelo cubano; afinal, como bem disse a secretária Condoleezza Rice, "os Estados Unidos continuarão sendo o 'motor' do mundo", e os "motores", como é sabido, costumam falhar de vez em quando. A cegueira ideológica certamente impediu os responsáveis pela revista da Editora Globo de se atentarem a tal sutileza.

Aliás, o hebdomadário deveria antes ter dado chamada principal de capa justamente ao problema do “pesadelo” americano, tendo em vista que era de se esperar a nervosa volatilidade dos mercados mundiais nesta semana. De todo modo, mesmo sem querer, o semanário da Globo conseguiu sair-se melhor do que a concorrente Veja, que, em mais uma de suas intermináveis “bolas fora”, destacou justamente os mais novos milionários do mercado de ações. A revista da Abril não poderia ter escolhido semana pior para fazer tal tipo de capa. Mas já que tocamos no assunto, espera-se, como toda a sinceridade, que os tais milionários tenham terminado a semana pelo menos tão ricos quanto começaram!

E, com exceção de Carta Capital, essas revistas semanais dão um sono... Zzzzzzzzz!!!!