Mostrando postagens com marcador eleições americanas 2008. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eleições americanas 2008. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Obama e Lula

Do muito que se foi falado sobre a vitória de Barack Obama, o melhor veio da boca do presidente Lula - só para variar um pouquinho! Disse o presidente que a vitória do democrata foi um "feito extraordinário" e que "um negro sagrar-se presidente dos Estados Unidos não é pouca coisa". É verdade e não é de surpreender que Lula o tenha dito. O que causou estranheza mesmo foram os editoriais dos jornais e a comemoração de certa parcela da população brasileira.

Os jornais e algumas figuras aqui do Brasil falaram da trajetória do senador, de suas origens, de quão notável é o fato de alguém como ele chegar ao posto a que chegou, num país em que o racismo não é velado como o nosso, e que também não é dado a aventurar-se ou ter arroubos de modernidade e experimentação. Ora, guardadas as devidas proporções e feitas as necessárias adaptações o mesmo se pode dizer da gloriosa vitória de um nordestino torneiro mecânico aqui no Brasil. Mas, em vez das explosões de fogos e todo alvoroço da mídia e da classe média brasileiras, Lula sempre teve que amargar hostilidades e má vontade.

A Folha até que chegou a ousar, colocando na primeira página, no dia da eleição, o depoimento de brasileiro radicado nos Estados Unidos, que apontou as semelhanças de trajetória de Barack Hussein Obama e de Luiz Inácio Lula da Silva. Será que alguém leu atentamente? O presidente Hugo Chávez também lembrou que a vitória do afrodescente no pleito estadunidense guardava alguma ligação com a onda democrática que elegeu presidentes populares de esquerda na América Latina. A mídia brasileira desconversou sobre o assunto.

Pelo jeito, nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.

Leia também:
Que "coisa"!
São outros valores, estúpido!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

São outros valores, estúpido!

A corrida no partido democrata para as eleições americanas deste ano está trazendo momentos de emoção que talvez superem os da própria briga direta pela Casa Branca. Enquanto a candidatura republicana já parece consolidada no nome de John McCain, dentre os democratas a “mulher” e o “negro” disputam ferrenhamente cada voto.

O que será que está por trás do histórico embate?

A “mulher” é ninguém menos do que Hillary Clinton, a ex-primeira-dama. A face da campanha de seu marido quando candidato foi definida, conta-se, no momento em que um assessor, numa dessas infindáveis discussões acerca de estratégias de campanha, gritou: “é a economia, estúpido!”.

Karl Marx talvez dissesse: “é sempre a economia, estúpidos!”. Para o filósofo alemão, a forma como os homens produzem e reproduzem a sua vida material é que determina sua vida social e espiritual. Noutras palavras, a questão econômica é com efeito, em última análise, o fator mais importante da existência humana, é o que determina as nossas idéias, além de nossas relações sociais e políticas. Outro pensador germânico, Max Weber, contesta o teórico do socialismo científico, afirmando que Marx não distingue o que é “rigorosamente econômico” daquilo que é “economicamente determinado” ou do que é simplesmente “economicamente relevante”. Digamos que Weber reconheceria a importância de aspectos econômicos na invasão americana no Iraque, por exemplo. Porém, ele não admitiria o fato de que aquele conflito seja “essencialmente econômico” ou que todas as suas facetas se resumiriam, em última instância, a interesses de caráter material.

Tudo isso para dizer que, não obstante o momento crítico da economia dos Estados Unidos, o que se percebe da peleja dos senadores Obama e Hillary é a entrada em cena de outros valores, que trazem à baila, evidentemente, a questão feminina e racial. Nenhum dos dois parece abraçar causas, por motivos óbvios da política; mas todo mundo sabe que o grande interesse por essas prévias é o ineditismo da situação: pelo menos um dos candidatos será de características nunca antes – diretamente - representadas na corrida presidencial daquele país.

Como dizia o Barão de Itararé, “de onde menos se espera é que não vem nada mesmo”. A pendenga americana, já nessa fase de prévia, poderia estar debatendo profundamente a questão econômica, dados os riscos de recessão e os indicadores de crise que se observam naquele país. Mas não está.

Por enquanto a disputa está bem divertida do lado democrata. Confirmado o nome de um dos dois, certamente o tema da economia vai entrar em campo com toda força. De todo modo, ficará sempre a lembrança da importância da corrida presidencial de 2008, pelo componente cultural que as pré-candidaturas de Barack Obama e Hillary Clinton trouxeram para o cenário político americano, cujas nuances devem influenciar todo o mundo. Quem sabe aqui no Brasil não tenhamos um negro ou uma mulher com chances efetivas de “levar” o Planalto em 2010?