Mostrando postagens com marcador oposição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oposição. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

De "apagões" e "blecautes"

Sempre se vê por aí gente querendo subtrair de Lula os méritos de seu governo. Agora, quando o assunto é apagão (na verdade um blecaute, como o de 10.11.2009), corre-se a se atribuir a responsabilidade ao mesmo Lula? Tudo bem, claro, é o ônus de ser governo!

Ora, mas, de qualquer forma, é muita injustiça com o conglomerado demotucano que governava o Brasil durante o racionamento de energia (o "verdadeiro" apagão) por longos meses nos anos de 2001 e 2002, pelos quais pagamos caro (literalmente) até hoje! Eles, sim, entendem muitíssimo bem de apagão, e as glórias de tal know-how não lhes poderiam ser arrancadas à força por conta de um evento isolado, ainda que reconhecidamente grave. E já que querem fazer exploração político-eleitoreira do acidente, nada mais razoável do que reconhecerem a espetacular experiência que, inegavelmente, possuem nessa matéria. Como eleitor ainda meio indeciso para 2010, gostaria de saber um pouco mais sobre os conhecimentos que esse grupo adquiriu nos tortuosos anos do "verdadeiro" apagão. Aliás, se o assunto ganhar dimensão eleitoral, posso até ofertar meu voto ao candidato indicado por eles, desde que demonstre estar mais preparado - até por conta da experiência - a enfrentar um problema que talvez se agigante nos anos vindouros - inclusive em razão do crescimento mais robusto que ora ostentamos, sobretudo se comparado àquele período.

De todo modo, não briguemos com os fatos: algum tipo de problema certamente existe e precisa, por óbvio, ser solucionado e devidamente explicado pelo atual governo. Como bem disse o jornalista Rodrigo Vianna, pelo menos dessa vez a oposição político-midiática tem um caso concreto nas mãos, e não as "linas vieiras" e "CPIs da Petrobras da vida", que claramente empobreciam o debate político no Brasil. Acho que para a democracia seria muito bom uma oposição atuante em temas relevantes, como é o caso em questão. Creio que a oportunidade é essa. Apesar de que, infelizmente para o país, já começaram mal...

Com toda sinceridade, acho que em vez de Arthur Virgílio e José Agripino Maia ficarem exigindo esclarecimentos da ministra Dilma Rousseff, baseados no fato de que ela foi responsável pela pasta de Minas e Energia até o já longínquo ano de 2005, eles poderiam, sim, como forma de enriquecer as discussões sobre o assunto, mandar a campo correligionários como José Jorge, Pedro Parente e até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (já que ele não se recolhe à condição de ex-presidente mesmo), pois todos eles, como já dito, poderiam trazer luz à questão, haja vista a já citada vasta experiência que possuem em crises energéticas. Neste particular, a ministra Dilma está em franca desvantagem, pois quando titular da pasta não enfrentou, que me lembre, nenhuma crise no setor. Honestamente, não vejo sentido em colocá-la no centro desse debate, pelo menos não nesse momento. Porém, se ela sair realmente como candidata, terá, é claro, que apresentar suas propostas para o setor, como todos os outros candidatos.

Aguardemos!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As maiores riquezas do mundo (crônica brasileiro-boliviana)

O Páteo do Colégio é maravilhoso. Esperar o ônibus no ponto incrustado nele chega até a ser um prazer!

Casalzinho com um bebê no colo junta-se aos que aguardam o transporte na manhã ensolarada. Eles eram, provavelmente, bolivianos. Com forte sotaque, o marido pergunta se ali passa o ônibus para a Lapa. Vão à Polícia Federal. Regularização, talvez?

Um simpático senhor - não menos de 50 não mais de 60 - responde que sim, ali é parada do Lapa.

O senhorzinho não resiste e começa a brincar com a criança. O menininho corresponde. "Isso é a maior riqueza do mundo!", diz o homem, apertando a mãozinha do moleque.

Mas ele, enquanto se divertia com o pequeno, pensava noutra riqueza, talvez um pouco menor do que aquela. Ao Ver que o pai do garoto ficara feliz de ele estar sendo tão bacana com o filho dele, logo entabulou conversa com o boliviano.

- Você faz bem de estar neste país. É um país rico. Na hora em que começarem a tirar esse petróleo todo que a gente tem, você vai ver! Daqui a uns cinco, seis anos, a gente já vai estar sentindo.

O andino concordava de forma efusiva. A mulher, enquanto arrumava a roupa do gurizinho, sorria um tanto timidamente. Sorriso de esperança, é bem possível.

Continuou o homem:

- Porque eu vou te falar, viu, o Brasil...

Meu ônibus chegou. Não sei como terminou a frase.

Fiquei pensando numa coisa: eis o drama da imprensa e da oposição. É isso, talvez, o que o sociólogo Emir Sader chama de "enigma Lula". Não há saída, é o "decifra-me ou te devoro" mesmo. O povo, que não é bobo, quer um presidente otimista e que aposte no futuro do país. Não está nem aí para o derrotismo e a "fracassomania" da mídia, tampouco se deixa levar pelas sabotagens da oposição.

Talvez valesse a pena pensar nalguns "detalhes": Lula está empolgado com o pré-sal, mas não será, do ponto de vista político-pessoal, seu maior beneficiário, haja vista que os resultados de sua exploração demorarão para aparecer. Ele parece não se preocupar com isso. Observe-se que mesmo o senhorzinho do ponto de ônibus não quis, em absoluto, fazer campanha para o presidente. Exageradamente otimista, ele falou de frutos que virão daqui a cinco ou seis anos, ou seja, quando Lula não estará mais no Planalto.

Não é difícil concluir que a oposição e a mídia podem estar se afundando mais, quando demonstram má-vontade para com a riqueza recentemente descoberta no Brasil, na ingenuidade de que ela só beneficia o atual presidente e seus possíveis projetos políticos. O comportamento do homem do ponto de ônibus e do seu novo "amigo" boliviano indicam que o povo não está nem aí com isso: quer apenas um país bacaninha para se viver, sem canalhice política, nada mais.

Sorte de Lula se só ele é capaz de entender isso.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Por essa, "as oposições" não esperavam

Há duas frentes de oposição ao Governo Federal no Brasil.

A primeira delas pode ser chamada de legítima: é aquela representada majoritariamente pelo DEM e pelo PSDB, além do PPS e, em menor escala, pelo PSOL, sendo que a deste último é um tipo de oposição diferente, marcada por motivos diversos aos daqueles grupos que realmente lutam pela – ou estiveram na – chefia do governo brasileiro.

A outra oposição pode ser chamada de ilegítima: é a representada pelos mais poderosos grupos de mídia do país. Ao contrário dos integrantes dos partidos políticos acima mencionados, os grandes jornais e revistas ou a maior rede de televisão não foram eleitos diretamente pela vontade dos milhões de pessoas que desaprovam o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva; tal oposição, entretanto, é por diversas vezes mais barulhenta e, não raro, mais organizada.

Ambas parecem ter ficado perplexas com alguns dos desdobramentos da chamada “farra” dos cartões corporativos.

A antecipação por parte da liderança do governo em colher assinaturas para uma CPI pegou muita gente de surpresa. Há um detalhe no pedido formulado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá: a investigação tem que ser ampla o suficiente para contemplar o período do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando se iniciou o uso dos famigerados cartões.

Viram-se na oposição algumas manifestações, que, não obstante a marca do cinismo que ostentam, são por demais didáticas para aqueles que acompanham os acontecimentos políticos: segundo o UOL, o Senador Demóstenes Torres, do DEM, disse que uma CPI que pretende ser tão ampla já está fadada a acabar em pizza, como que já insinuando um grande acordo para ninguém sair chamuscado. Ora, se o DEMocrata estiver certo, deve ser porque sabe que o governo do antecessor do presidente Lula teria muito o que temer na investigação. Aliás, se o leitor permite, cabe uma pergunta ingênua: se o senador goiano realmente estiver certo, não seria um motivo a mais para que a CPI ocorresse, obrigatoriamente, nos termos apresentados pela solicitação governista?

Ainda na mesma linha, o Deputado Antônio Carlos Pannunzio, do PSDB paulista, em mensagem publicada no sítio Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, declarou que uma CPI de verdade tem que ser apresentada pelo grupo adversário, pois quando os próprios investigados se mostram interessados pela instauração da Comissão estão usando de um tipo de ardil que de cara a esvazia ou a torna sem sentido. Ora, ora, ora! Se realmente é assim, somos forçados a concluir que sempre que algum político, em qualquer instância, acusa um determinado governo de sufocar CPIs, ou de atrapalhar seu andamento e coisas assim, está apenas fazendo um jogo de cena, pois, de acordo com o raciocínio de Pannunzio, a boa CPI é essa mesmo, qual seja, aquela que o governo de plantão ou outros de seus investigados tentam passar por cima com o rolo compressor.

Obrigado, nobres parlamentares Demóstenes Torres e Antônio Carlos Pannunzio! Nunca mais encararemos as CPIs com tanta ingenuidade!

A “outra” oposição, a representada pelos meios de comunicação, também tem se mostrado perdida com o caso dos cartões.

A velha e boa imprensa tem tentado vender a idéia de que a sua operosidade é que levou o caso a obter uma importante repercussão, a ponto de derrubar ministro, fazer que outro devolva dinheiro, que um terceiro tenha que se justificar. Mas, em verdade, todos sabem que o caso só está tendo tamanha amplitude graças à transparência do Governo Federal, que tornou os dados referentes aos gastos de seus servidores e agentes disponíveis a toda população, através do site da CGU. Aliás, deve-se acrescentar que, fosse a nossa mídia realmente diligente, os gastos da ex-ministra Matilde Ribeiro, por exemplo, não teriam chegado a um terço do que foi apresentado, pois algum jornalista inteligente (ou algum estagiário muito esperto) já teria verificado algo de estranho nas operações feitas com o cartão dela e denunciado ainda em tempo de estancar a sangria de mais de 170 mil. Admita-se, porém, que toda a sociedade poderia já ter criado o hábito de acompanhar esses gastos mais cedo e, conseqüentemente, ter exercido algum tipo de pressão sobre o governo.

A imprensa (metida a partido político, na opinião tanto de um estudioso do nível de Wanderley Guilherme dos Santos quanto do prefeito do Rio, César Maia) também parece pega de surpresa com a decisão governista de pedir uma CPI. Mas o que parece tê-la deixado realmente numa situação complicada foram os gastos com cartões semelhantes ao do Governo Federal perpetrados pelo Governo do Estado de São Paulo. A Folha somente deu destaque ao assunto após ser pressionada publicamente por Paulo Henrique Amorim (que apelidou a imprensa de PIG – Partido da Imprensa Golpista!), sendo obrigada a admitir, ainda que timidamente, que o sistema federal é mais transparente. Todavia, conforme notou o blog de Eduardo Guimarães, o jornalão, simpaticíssimo ao governo tucano de São Paulo, resolveu fazer valer o seu manual e deu um importante espaço ao “outro lado”, prática que também deveria observar quando difundisse denúncias e críticas ao Governo Federal.

As “oposições” fariam muito bem nessa altura do campeonato se não permitissem retrocessos na transparência dos gastos públicos. Não apenas precisariam impedir que o Governo Federal dificultasse o acesso a seus gastos ou ressuscitasse formas de despesa de difícil rastreamento, como deveriam obrigar as outras instâncias governamentais a que agissem com a mesma transparência. O primeiro passo poderia ser cobrar isso do Governo do Estado de São Paulo, tanto pela sua importância meramente simbólica quanto, mais prosaicamente, pelo volume nada módico de suas despesas.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Eu preferiria a CPMF

A derrota do Governo Federal na proposta de prorrogação da CPMF é sem dúvida um dos fatos mais notáveis deste final do ano, perdendo em importância somente para o excepcional crescimento do PIB anunciado nesta semana. Os espetaculares índices de aprovação da governança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmados pela pesquisa CNI/IBOPE divulgada nos últimos dias, já viraram “carne de vaca”, não sendo, portanto, merecedores de maior destaque.

Foram particularmente interessantes as opiniões pescadas aqui e ali, sobretudo aquelas vindas de pessoas comuns, postadas geralmente em fóruns ou outros espaços destinados aos comentários de leitores na Internet, tanto nos dias em que antecederam quanto já nas primeiras horas após a – por que não dizer – sessão histórica do Senado Federal que rejeitou a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras.

O pessoal contrário à cobrança do tributo empenhou-se em recordar que o PT foi outrora ferrenho opositor da CPMF, e que o próprio presidente Lula não o negava. Faltou, todavia, lembrar que a recíproca é verdadeira: os senadores que mais atacavam a Contribuição foram os mesmos que lhe eram favoráveis noutros tempos, numa época, aliás, em que o governo de plantão não tinha nem de longe o comprometimento social do atual.

Foi deveras engraçado ver, após a votação, alguns internautas parabenizarem os nobres senadores pela derrota que impingiam ao Governo. Só se pode atribuir isso à famigerada “cordialidade brasileira”. Uma semana antes, viam-se, nos mesmos espaços, os leitores esbravejarem contra o corporativismo e a covardia de nossa Câmara Alta por ter, pela segunda vez em pouquíssimo tempo, livrado a cara do senador Renan Calheiros. Agora, num passe de mágica, os ocupantes do Senado Federal são promovidos à categoria de heróis! Volubilidade...

Ao criticarem toda a carga tributária, alguns freqüentadores dos sítios noticiosos aproveitaram para repudiar os programas sociais, sempre sugerindo que a sacrificada classe média carrega o Brasil nas costas, sustentando uma horda de “vagabundos” com programas como o Bolsa-Família. Mas o egresso da classe média que realmente pensa assim deveria ser o primeiro a defender tributos como a CPMF. Em primeiro lugar porque é praticamente impossível sonegá-la, o que deveria ser um alento para aqueles que sabem que realmente são obrigados a pagar impostos altos por culpa daqueles que, não obstante a maior renda, conseguem driblar a Receita; em segundo, porque ao contrário de outros impostos, que de certo modo usam um pouco do princípio da progressividade, a CPMF também é cobrada - e na mesma proporção - dos muito pobres, haja vista a submissão do povo brasileiro ao sistema bancário quase em sua totalidade. Ou seja, nesse caso não dá para os chorões da classe média dizerem que "sustentam" os muitos pobres, que não pagam impostos .

Resta agora esperar que a FIESP faça valer aquilo que tanto apregoou nos últimos tempos: sem a CPMF, que a indústria de São Paulo comece a contratar desvairadamente, que de quebra melhore os salários de seus operosos funcionários e que também reduza um pouco de seus preços no atacado (os que têm contratos regidos pelo IGP-M agradecem).

Por fim, o autor destas mal digitadas também gostaria de congratular-se, não com os excelentíssimos senadores da República, como fizeram os freqüentadores dos sites dos jornais de São Paulo, mas, sim, com o jornalista Paulo Henrique Amorim, que asseverou haver duas linhas a se seguir no Brasil: ou bem se é a favor da distribuição de renda, ou se é favorável à redução ou extinção de impostos; não há meio-termo.

Este blog é, humildemente, a favor da distribuição de renda. E a CPMF, infelizmente extinta, era o tributo que melhor servia a esse objetivo.