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domingo, 16 de junho de 2013

Perspectivas para 2014 - influências dos resultados do PIB

O até certo ponto decepcionante crescimento econômico anotado no primeiro trimestre deste 2013 trouxe ânimo para a oposição e para o colunismo que lhe dá suporte na imprensa. Com ótimos índices de popularidade, sendo Dilma Rousseff favoritíssima à reeleição em 2014, qualquer espirro traz alento às hostes oposicionistas. Mas, afinal de contas, qual é efetivamente a importância dos números reais do Produto Interno Bruto na hora da eleição?

O PIB comportou-se de forma oposta nos dois últimos pleitos presidenciais: foi fraco durante o período que antecedia a corrida de 2006, e era quase chinês na disputa de 2010. As respostas das urnas parecem sugerir que a ideia de crescimento econômico, se mostrada de forma abstrata, sem relação direta com a vida das pessoas, não influencia de forma, por assim dizer, simétrica, o resultado - no limite, talvez seja meramente um elemento a mais, de importância apenas relativa, na hora de o eleitor decidir seu voto.

Em 2006, ainda antes da derrocada do neoliberalismo, o planeta vivia uma onda de prosperidade, com meio mundo ostentando números significativos de crescimento. O Brasil seguia acanhado, e o oposicionista Geraldo Alckmin, secundado pela mídia amiga, não perdia uma oportunidade de acusar o País de àquela época "estar crescendo somente mais do que o Haiti nas Américas". A despeito das lembranças e advertências do político paulista, o então presidente Lula, candidato à reeleição, obteve vitória folgada - para não dizer massacrante - no segundo turno.

Já em 2010, nos meses que marcavam a corrida pelo Planalto, a economia brasileira, diferentemente da maior parte das economias centrais do planeta, bombava, com índices de crescimento que, anualizados, orbitavam pelos 8%, números que só seriam considerados ridículos por chineses - e olhe lá! Mas eram os brasileiros que iam às urnas, e apesar do "feel good factor", impuseram um segundo turno e premiaram a oposição com 44% dos votos, números bem melhores do que o por ela alcançado quatro anos antes, quando, segundo Alckmin e a mídia, o Haiti era aqui.

Não raro veem-se críticos aos métodos de avaliação de crescimento econômico e gente que declaradamente contesta a validade do PIB para se apurar a saúde econômica e o bem-estar social num dado país. Aos estudiosos do tema, a relação, digamos, blasé que o eleitor brasileiro parece vir tendo com a matéria seria uma boa fonte de análise.

E em 2014, será que o eleitor irá às urnas com uma tabelinha do IBGE debaixo do braço?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Eleições 2012 - São Paulo - A trivial vitória de Haddad

Numa boa navegada nas raras e recentes postagens deste blog o leitor verá que, em contraponto a colunistas da mídia tradicional, asseguramos que a cidade de São Paulo sempre esteve longe de ser uma fortaleza antipetista. Desde 1988, o Partido dos Trabalhadores é no mínimo segundo lugar nas brigas pela prefeitura.

No mesmo esforço de desconstruir mitos criados por jornalistas dos meios convencionais, mostramos, também, que o PSDB nunca chegou a ser uma força incontestável nas disputas paulistanas, tanto que desde a sua fundação somente chegou ao segundo turno da metrópole, agora, por duas vezes, ambas com José Serra - descontando-se Kassab, eleito pelo DEM em 2008, vencendo, inclusive, o peessedebista Alckmin naquele ano (noves fora a cristianização do atual governador).

Anotamos, também, que a despeito da força petista no município, sempre a garantir-lhe no mínimo o segundo turno, a adesão não era automática, em vista das nossas dificuldades de trabalhar e garantir a identificação partidária, o que explicava, em parte, o por algum tempo resiliente fenômeno Celso Russomanno.

Por fim, este blog jogou no lixo as pesquisas e apostou na vitória do petista Fernando Haddad com base somente nos resultados de Russomanno no primeiro turno, bastante consistentes justamente na periferia da cidade, reduto petista, entendendo como certa a transferência de votos do midiático político do PRB para o candidato do PT. 

Fechadas as urnas, pipocam as análises, com claras tentativas de se fazer conjeturas, sendo irresistível, num primeiro momento, apostar que o caminho para a vitória da situação no pleito de 2014 já está mais do que trilhado, assim como pode-se já estar se desenhando a destituição do PSDB do governo do estado de São Paulo.

Há que se andar devagar. Recorde-se que não faltou quem garantisse que a vitória de Kassab em 2008 indicava altíssimo prestígio do padrinho dele, José Serra, gabaritando-o para o Planalto no pleito de 2010. Razão estava, porém, com os poucos que se recusaram a nacionalizar aquela disputa, entendendo ter sido a pendenga de 2010 resolvida noutros termos, efetivamente municipais.

E em nível estadual, o discurso da turma que está há 20 anos no governo já deve estar até redigido: dono da prefeitura, dono do governo federal com chances de ser reeleito, não podemos dar ainda mais poder ao PT. O assunto é velho e tende a se repetir. Resta somente saber até quando o eleitor paulista vai sucumbir a essa baixa chantagem que usa em vão o santo nome da democracia.


sábado, 27 de setembro de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - Última leitura antes do provável segundo turno

O PSDB governa o Estado de São Paulo há mais de 20 anos, sempre com boa aceitação na capital; Geraldo Alckmin fez-se presente desde o início desse ciclo, primeiramente como vice de Covas, depois o sucedendo na vaga deixada pelo falecimento do titular, elegendo-se por via direta posteriormente e preparando o terreno para o sucessor pelo seu partido; o tucano teve uma gestão bem avaliada e foi, ainda, o candidato à sucessão presidencial preferido pelos paulistanos em 2006. Tudo isso parecia sugerir uma melhor sorte para o ex-governador na corrida pela prefeitura da Cidade de São Paulo.

Havia a favor de Alckmin, ainda, a resistência, por parte de alguns setores, ao nome da ex-prefeita Marta Suplicy e à administração tida como medíocre (na verdadeira acepção da palavra) do prefeito Gilberto Kassab. O candidato do PSDB, diferentemente de ambos, parecia contar com bom trânsito nos diversos estratos do município e ostentava, conforme já dissemos, a imagem de bom administrador.

Todas as pesquisas, porém, apontam um cenário em que a petista aparece com boa dianteira e que o postulante à reeleição emerge como bem mais do que um ator coadjuvante. Alckmin deve ter sido pego de surpresa. Talvez a mesma surpresa do autor destas maldigitadas. Se ele vislumbrasse essa possibilidade, certamente não teria brigado para ser candidato pelo PSDB, antes acataria a orientação, defendida - ainda que timidamente - por alguns líderes de seu partido, de apoiar a reeleição de Kassab.

Com o horário político e com a campanha nas ruas, Marta pôde mostrar algumas de suas realizações no município e apresentar propostas que parecem dar continuidade ao trabalho anteriormente feito. Kassab, por sua vez, conseguiu melhorar a sua imagem, agindo como alguém que está tendo a chance de dar publicidade a obras de sua administração que não apareciam na mídia. Já Geraldo Alckmin talvez tenha ficado com a pecha de alguém que não fez muita coisa pelo município e que, depois de ter sido governador e de ter sido derrotado à sucessão presidencial, quer a prefeitura como um tapa-buraco ou como um prêmio de consolação.

Caso se confirme, a derrota política do ex-governador seria de grande monta. Sem dúvida que ele ficaria com a imagem de grande desagregador. Lembremos que ele teve que brigar muito para ser candidato a presidente em 2006, quando muitos tucanos tinham a certeza de que José Serra seria um nome muito mais competitivo. E “batata”, Alckmin teve uma derrota humilhante no segundo turno, enquanto Serra ganhou fácil para governador ainda no primeiro turno. Agora em 2008, contrariando caciques e desagradando bases que estão engajadas desde a primeira hora na administração Kassab, o tucano insistiu em lançar candidatura própria, dividindo o partido e, ainda por cima, sem conseguir as facilidades que até seus antípodas achavam que ele teria.

Fiquemos por aqui, pois já erramos muitos prognósticos. Próximo comentário, somente depois do escrutínio de 5 de outubro.

domingo, 14 de setembro de 2008

Eleições Municipais - São Paulo - Marta, Kassab e Alckmin

As pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo divulgadas nesta semana devem reforçar certos modelos de atuação dos principais candidatos, modelos estes que se esboçaram no debate promovido pela Rede Bandeirantes na última quinta-feira.

Marta Suplicy, que já tinha muito que se ocupar com Geraldo Alckmin, agora não pode descuidar do ascendente Gilberto Kassab. Do mesmo modo, Alckmin, que imaginava que polarizaria com Marta e que deveria preservar Kassab, potencial aliado num eventual segundo turno, precisa agora voltar as cargas também contra o atual prefeito. Já o candidato à reeleição, por seu turno, talvez não tenha tanto que alterar sua estratégia inicial, haja vista que desde o começo já precisava voltar artilharia contra a candidata do PT e brigar pela posição de “anti-Marta” com o candidato tucano.

Depreende-se disso tudo que o prefeito herda, nesta altura do campeonato, a posição mais confortável na campanha: Marta e Alckmin entraram na disputa acreditando que teriam, cada um, um único adversário; Kassab, por sua vez, sempre soube que precisaria brigar com os dois. Portanto, enquanto a petista e o tucano ganharam um adversário de peso a mais, o que requererá mudanças de atuação, o democrata prosseguirá tentando manter a segunda posição contra Alckmin, ao mesmo tempo em que deve continuar mirando a ex-prefeita, com vistas a não deixar que ela dispare, ou seja, Kassab pode prosseguir, no geral, os princípios de sua campanha.

Numa próxima oportunidade, tentaremos discutir por que Alckmin, ex-governador bem avaliado, político de projeção nacional, candidato à Presidência da República bem-sucedido na capital paulista, não apenas fica muito atrás em relação a Marta Suplicy, como ainda se deixa ultrapassar por Gilberto Kassab. O que explica?

sábado, 30 de agosto de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - O que acontece com Alckmin?

Dentre as explicações para a até aqui decepcionante posição de Geraldo Alckmin nas pesquisas sobre a intenção de votos pela Prefeitura de São Paulo está o fato de o seu partido se apresentar um tanto dividido na disputa. Boa parte da máquina do PSDB está engajada na campanha de reeleição do prefeito Gilberto Kassab, e caciques como o governador José Serra vêm sendo acusados de ter posição não muito convicta no apoio a Alckmin.

Outro aspecto que não se deve descartar – e ele é por demais curioso – é que ocorre com a “direita” na cidade de São Paulo um fenômeno que sempre foi motivo de lamentação nas esquerdas: a desunião. O somatório das intenções de voto em Alckmin, Kassab e Maluf superaria a da ex-prefeita Marta Suplicy, que por ora lidera com relativa folga a disputa, beneficiando-se da pulverização da preferência dos candidatos de perfil mais conservador.

Este blogueiro acreditou que as coisas seriam mais róseas para o candidato tucano, que açambarcaria logo de início considerável parte das intenções de voto no atual prefeito e no folclórico “Dr. Paulo”. Isto não vem ocorrendo. É muito cedo ainda, e talvez o ex-governador acabe conseguindo se apresentar como o principal candidato conservador que tanto agrada a classe média e a elite paulistana, por ora dividida. Porém, como bem lembrou o jornalista Clóvis Rossi, não sem certa desolação, o problema é que, dos quatro primeiros nas pesquisas, o único que efetivamente perdeu votos fora da margem de erro foi justamente o postulante pelo PSDB.

Mas falar em “direita” e “esquerda” nas eleições municipais de São Paulo talvez seja pedantismo. É muito provável que o eleitor médio não se atente a tais questões, pelo menos não de forma muito consciente. E revendo posição anteriormente explicitada, não é nenhum disparate dizer que a candidata Marta Suplicy, do PT, poderia ser a maior beneficiária de certa “desideologização” num eventual segundo turno.

Mas sejamos humildes: se erramos na crença de que Alckmin encontraria vida mansa na disputa pela prefeitura da maior metrópole do país, nada impede que também estejamos enganados agora.

Vamos aguardar.

domingo, 24 de agosto de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - uma questão de classe

Primeiramente, vi no blog Entrelinhas uma notícia, seguida de análise, sobre uma aluna da FAAP que teria dito, após uma palestra da candidata Marta Suplicy naquela instituição, que o problema da ex-prefeita “é que ela não faz nada pelos ricos” (clique aqui para ler). Depois, ouvi com “meus próprios ouvidos” uma colega dizer que Marta só foi boa para os “fins de mundo” da cidade, deixando as regiões mais nobres e os tradicionais redutos de classe média a ver navios.

Cabe aqui lembrar um articulista do Observatório da Imprensa que acerca de polêmica sobre a concentração da alta popularidade do presidente Lula entre os mais pobres, afirmou que o contrário é que deveria ser consideradoo uma anomalia num país desigual como o Brasil, ou seja, um governante ser adorado pelos ricos e odiado pelos mais necessitados. No caso de Marta, cairia bem uma paráfrase: em São Paulo, absurdo teria sido a ex-prefeita ter “feito muito pelos ricos” e ter sido boa apenas para os “umbigos do mundo” fincados na cidade!

Entretanto, não estou muito convencido de que Marta Suplicy não tenha feito nada pelos ricos, até porque numa democracia burguesa os políticos não conseguem sobreviver sem alguns acenos aos mais bem aquinhoados. Tampouco considero que ela tenha feito tanto assim pelas periferias da cidade, ainda mais se pensarmos que, em vista do abandono dos rincões do município, por mais que se faça, as demandas nesses lugares sempre tendem a se multiplicar.

De todo modo, é curioso que na maior cidade do país pareça tão vivo o surrado conceito marxista de luta de classes. É o rico contra o pobre, é o centro contra a periferia! Tal tipo de agenda pode dificultar um pouco as coisas para o principal adversário da candidata do PT, o tucano Geraldo Alckmin. Ele terá que aproveitar a rejeição de Marta entre os paulistanos de melhor renda e das regiões mais centrais da cidade, buscando se fortalecer como o candidato desse segmento. Ao mesmo tempo, precisará galgar pontos entre os mais pobres, sem se deixar colar a imagem de “candidato dos ricos”.

A essa altura, os marqueteiros já devem estar traçando estratégias para “vender” o respectivo candidato como o “prefeito da cidade inteira”, como “aquele que quer trabalhar para cada bairro dessa cidade” e coisas do gênero. Quanto à classe... classe? Que classe?

domingo, 17 de agosto de 2008

Eleições Municipais 2008 - São Paulo - nova pesquisa IBOPE

Einstein certa vez disse que se num primeiro momento uma idéia não é absurda, então há esperança para ela. A idéia de que Marta Suplicy pode voltar a sagrar-se prefeita de São Paulo no próximo pleito está muito longe de ser absurda. Este blog, entretanto, continua insistindo que as condições são mais favoráveis ao ex-governador Geraldo Alckmin, a despeito da pesquisa IBOPE que mostra a prefeita com 15 pontos de vantagem.

A aritmética conspira a favor do tucano. De acordo com a última pesquisa, Maluf e Kassab detêm juntos 17% da preferência. Parece-nos muito razoável que a maioria esmagadora desse contingente caia nos braços do ex-governador na primeira oportunidade, mesmo que essa oportunidade seja somente no segundo turno. Um ajustezinho aqui, outro acolá, e Alckmin levaria, mesmo que de forma um pouco apertada.

Marta Suplicy pode, porém, estar tendo a seu favor a medíocre administração de Kassab, que traz a lembrança de que ele foi, em verdade, eleito como vice do tucano José Serra, que, apesar das reiteradas promessas, abandonou a prefeitura. Ainda que de forma indireta, isso pode estar atrapalhando Alckmin, pois o eleitor rapidamente o associa com a figura do atual governador e talvez fique vislumbrando a possibilidade de a história se repetir daqui a dois anos. A ex-prefeita, derrotada em 2004, seria a beneficiária natural dessa insatisfação do eleitor por conta daquela, digamos, “traição”. Além disso, Marta, que já conta com boa penetração nas periferias da cidade, pode também estar conquistando algum espaço nas regiões mais centrais e nos redutos de classe média por conta principalmente do trânsito caótico. Ainda que de forma insuficiente, seus investimentos em transporte coletivo e a construção de corredores quando prefeita representaram iniciativas importantes nesse campo. Hoje, dificilmente um jornal de grande circulação estamparia na sua primeira página a reclamação de um comerciante da Avenida Rebouças de que seria um absurdo ele fazer, de carro, em 40 minutos, o mesmo trajeto que um ônibus fazia em dez após a entrada em operação de corredor naquele logradouro! Que “inversão de valores”, deve àquela época ter pensado o rapaz, chancelado pelo nosso grande jornal! A cabeça da classe média tradicional pode ter mudado um tiquinho sobre o assunto e isso talvez esteja beneficiando, ainda que timidamente, a ex-ministra do Turismo.

A pesquisa IBOPE mostra que este blog talvez tenha exagerado no acreditar que as coisas seriam mais fáceis para Geraldo Alckmin na pendenga deste ano. Agora é torcer para que também estejamos errados quanto ao possível abandono da prefeitura antes do tempo tanto por parte da petista quanto do tucano.

sábado, 26 de julho de 2008

Palpites sobre "eleições municipais - São Paulo - 2008"

A mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida pela Prefeitura de São Paulo mostra uma clara polarização entre as candidaturas da petista Marta Suplicy e do tucano Geraldo Alckmin, que deverão estar disputando o segundo turno no último domingo de outubro deste ano.

Aldo Rebelo ou Campos Machado?
Este blog humildemente insiste na tese de que nem Marta nem Alckmin ficará os quatro anos à frente da Prefeitura. Por isso, é bom que o eleitor se lembre de que ao sufragar qualquer um dos dois está também votando no seu vice, a saber, Aldo Rebelo pelo lado de Marta, e Campos Machado, por parte de Alckmin: um deles pode acabar herdando a administração da maior cidade da América do Sul.

Tal cenário, se confirmado, pode infelizmente estar configurando uma tendência: políticos de peso em nível nacional candidatam-se a prefeito da maior cidade do país não para solucionar os seus enormes problemas, mas para usá-la como atalho para caminhos mais vastos e mais longos.

Não duvido que outros candidatos tentarão explorar a possibilidade de tal situação e que até mesmo os eleitores questionem os dois principais postulantes do pleito sobre suas reais intenções. Daí é só esperar que uma ação coordenada demova a ex-prefeita e o ex-governador da secreta idéia de se candidatar a governador ou até mesmo a presidente da República em 2010.

E como são só conjeturas, o jeito é torcer que, para o bem da cidade, o blog esteja apenas cometendo alguns de seus já notórios erros de análise.

Marta ou Alckmin?
Dada a situação de polarização entre a candidata do PT e o do PSDB, já se pode pôr as bolas de cristal para funcionar e começar a imaginar para onde migrarão os votos dos eleitores que insistirão em votar noutros candidatos. É um pouco cedo ainda, mas os exercícios de futurologia parecem ser francamente favoráveis a Geraldo Alckmin.

As pesquisas mostram o tucano ligeiramente atrás da ex-ministra, mas ainda dentro da margem de erro, ou seja, na condição de empate técnico. Longe da corrida, mas com respeitáveis intenções de voto, há dois candidatos que se pode classificar como “de direita”, são eles o prefeito Gilberto Kassab e o lendário Paulo Maluf. A tendência é que a maioria esmagadora dos eleitores de ambos prefira Geraldo Alckmin no mais do que provável segundo turno. Eu iria um pouco além e arriscaria dizer que no decorrer da disputa talvez até vigore o chamado voto útil em favor do candidato do PSDB, o que o deixaria na frente da petista ainda no primeiro turno.

De uma perspectiva mais ampla, Marta ainda deve sofrer com a piora no cenário nacional, com ligeira queda de popularidade do presidente Lula, o que certamente será explorado em nível local.

O certo agito inflacionário, uma vez propagado pela mídia, trará um pequeno mas importante descontentamento com o Governo Federal, prejudicando os candidatos aliados do Planalto. De quebra, o segundo semestre deve ainda apresentar a conta da “mãozinha” dada pelo Banco Central, que com o aumento dos juros está fazendo a famosa aposta no círculo vicioso representado pela equação do “menos crescimento, menos emprego e menos renda que geram menos crescimento, menos emprego e menos renda”. Decerto que tudo isso trará desgaste para os candidatos que tenham proximidade com o presidente. Desgaste desnecessário, diga-se; afinal, tal despertar inflacionário está mais ligado à conjuntura internacional e talvez sobreviva mesmo com o aumento de juros domésticos, o que insinuará um ambiente desalentador: inflação levemente persistente num clima de crescimento retraído. Em tal ambiente, não há negar que Marta perde e Alckmin - que ainda teve a seu favor o fato de ter sido o antagonista de Lula nas últimas eleições presidenciais – ganha.

Alia jacta est!

domingo, 30 de março de 2008

Marta LIDERA a corrida pela prefeitura de São Paulo

A ex-prefeita e atual Ministra do Turismo, Marta Suplicy, segundo pesquisa do DATAFOLHA publicada neste domingo, está à frente do ex-governador Geraldo Alckmin na corrida pela sucessão da prefeitura paulistana. De acordo com o levantamento, Marta tem 29% da preferência do eleitorado e Alckmin, 28%.

A manchete da Folha admite a subida de Marta, mas esconde que ela está na dianteira, afirmando que a petista está, em realidade, empatada com o tucano. A repercussão da notícia no canal BandNews repetiu praticamente as mesmas palavras do jornal, enfatizando a condição de empate técnico.

A rigor, trata-se realmente de um empate. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, não seria impossível que, se as eleições ocorressem hoje, o ex-governador tivesse 31% contra 26% da ex-prefeita. No limite, seria plausível também que a ministra chegasse aos 32% ante 25% do pré-candidato do PSDB.

Mas o que chama realmente a atenção é que, quando o tucano está na dianteira, não se sonega tal informação, ainda que a sua vantagem também esteja dentro da margem de erro. Os meios de comunicação, em verdade, não o omitem em absoluto. Mas a fundamental advertência quanto à margem vem sem dúvida com menos destaque.

Como evento político - e mesmo jornalístico – está o fato de a pré-candidata do PT ter subido na preferência do eleitorado, ao passo que o ex-governador caiu. Será que a imprensa não acha isso mais interessante do que o fato – importante, sem dúvida – de ambos estarem tecnicamente empatados?

A julgar pela gangorra e pelos números apertados, é bem provável que a disputa entre os dois candidatos seja acirrada e que traga muita emoção para o quadro político nacional. Este blog, no entanto, acredita – e decerto que não é nada original nisso – que nenhum dos dois candidatos tenha compromissos efetivos com a cidade, e aposta que o vencedor usará a administração da maior metrópole do hemisfério como um “tapa-buraco” até as eleições de 2010, de olho na governança do maior estado do país ou até mesmo na presidência da República. (a este propósito, leia o nosso Eleições municipais - São Paulo 2008: escolha o seu vice).

sábado, 12 de janeiro de 2008

Eleições municipais - São Paulo 2008: escolha o seu vice

Se as coisas ficarem dentro do script, os maiores partidos do Brasil deverão disputar a eleição para prefeito da cidade de São Paulo em 2008 com pesos pesados da política nacional: o PT virá com a ex-prefeita e atual Ministra do Turismo, Marta Suplicy, e o PSDB pleiteará a prefeitura com o ex-governador e candidato derrotado à Presidência da República Geraldo Alckmin.

Muito dificilmente qualquer um deles ficaria os quatro anos à frente da prefeitura da maior cidade do país. Em 2010, com as eleições para o governo do Estado, tanto Marta quanto Alckmin apareceriam como candidatos quase “naturais” de seus partidos. É notória a dificuldade do PT em apresentar novos nomes, tanto em nível federal como no âmbito de São Paulo, estado que é seu berço. Nesse vácuo, o nome da “prefeita” agigantar-se-ia como única candidata com chances de derrotar a hegemonia do PSDB. No ninho tucano, a menos que o partido queira repetir o erro de 2006, é quase impensável que seus integrantes não queiram disputar o principal cargo da República com o seu nome mais popular. Assim sendo, o governador Serra será candidato a presidente. Desse modo, o tucanato terá que disputar o governo do Estado com outro de seus ases. É certo que existirão brigas internas, mas o nome do ex-governador, “rebaixado” à condição de prefeito (se for o caso), surgirá como uma carta na manga para a agremiação continuar mandando em São Paulo.

Dessa forma, se eleito um dos dois, quem ficará a maior parte do tempo à frente da prefeitura da megalópole será o respectivo vice. Tal advertência fora repetidamente feita no pleito de 2004, afinal todo bom analista sabia que Serra não ficaria na prefeitura durante todo o mandato. Verdade seja dita, é muito provável que a então prefeita Marta, se reeleita fosse, também sairia para disputar o cargo de governadora. A diferença é que, em vez de Kassab, o prefeito hoje seria Rui Falcão.

É evidente que não é possível ter acesso aos estados mentais das pessoas – nem aos anseios programáticos secretos dos partidos políticos. Quer dizer, pode até ser que tanto a petista quanto o tucano sonhem com a prefeitura e queiram realmente ficar sentados na principal cadeira do antigo prédio do BANESPA até o final do mandato, o que poria por água abaixo o presente prognóstico. Mas a se confirmar a suspeita de que o término do mandato ficará para o vice, ter-se-á que rediscutir os rumos da política na mais importante cidade do país, pois ela não poderá ser pelo resto de seus dias um mero trampolim para a ambição de alguns políticos brasileiros: o prefeito teria que realmente querer ser prefeito e estar comprometido com os interesses da cidade.

Uma triste curiosidade é que o risco de isso ocorrer praticamente se anularia caso fosse reeleito o atual prefeito, o qual dificilmente abdicaria da chance de ficar mais quatro anos como indiscutível “dono” do cargo que herdou. Resumindo: pobre São Paulo!